Casar em determinada idade, ter filhos, conquistar estabilidade profissional, construir uma família, alcançar independência financeira ou realizar um projeto que parecia certo.
Ao longo da vida, muitas mulheres criam expectativas sobre onde gostariam de estar em cada fase.
O problema surge quando o tempo passa e a realidade não acompanha aquilo que foi planejado.
Além da frustração, podem aparecer questionamentos sobre a própria fé.
Afinal, como continuar acreditando quando algo pelo qual se orou durante tanto tempo simplesmente não aconteceu?
Para Érica Rios, a fé ganha uma importância ainda maior justamente quando não existem respostas imediatas.
Em vez de enxergar uma mudança de rota como sinal de que tudo deu errado, ela defende que alguns períodos exigem confiança para continuar mesmo sem compreender o que está acontecendo.
“É muito fácil confiar quando tudo acontece exatamente como imaginamos. O verdadeiro desafio da fé aparece quando os nossos planos são interrompidos e precisamos continuar acreditando mesmo sem entender os motivos. Nem sempre Deus vai responder da maneira ou no tempo que nós esperamos”, reflete.
Quando a comparação aumenta a frustração
Essa espera pode se tornar ainda mais difícil quando a mulher começa a comparar sua trajetória com a de outras pessoas.
Uma amiga se casou, outra teve filhos, alguém conquistou o emprego desejado ou parece ter alcançado nas redes sociais exatamente a vida que ela gostaria de estar vivendo.
Para Érica, transformar a trajetória de outra mulher em parâmetro para a própria pode alimentar uma sensação injusta de atraso.
“Cada pessoa tem uma história e um tempo. Às vezes, olhamos para aquilo que Deus está fazendo na vida de alguém e começamos a perguntar por que ainda não aconteceu conosco. A fé também é aprender a não transformar a bênção do outro em motivo para questionar a nossa própria caminhada”, afirma.
As redes sociais podem intensificar essa sensação porque mostram conquistas sem necessariamente revelar os períodos de espera, dúvidas, perdas e dificuldades que vieram antes delas.
O resultado pode ser uma cobrança constante para cumprir uma espécie de calendário imaginário.
E quando a oração parece não ter sido respondida?
Para quem tem fé, talvez uma das experiências mais difíceis seja orar repetidamente por algo e não receber a resposta esperada.
Érica acredita que esse silêncio não precisa ser interpretado automaticamente como abandono.
Ela ressalta que fé não significa ter a garantia de que todos os desejos serão realizados exatamente da maneira imaginada.
Em alguns momentos, pode signific aceitar que determinado caminho não seguirá adiante e encontrar forças para começar novamente.
“Existem orações em que esperamos um ‘sim’, mas talvez a resposta seja um ‘não’ ou um ‘ainda não’. Isso dói porque somos humanos e criamos expectativas. Ter fé não significa fingir que não estamos frustrados. Podemos chorar, questionar e sentir. O importante é não permitir que uma resposta diferente daquela que desejávamos nos faça acreditar que Deus deixou de cuidar de nós”, diz.
Recomeçar sem saber o que vem depois
Uma mudança de planos também pode trazer medo porque obriga a mulher a abandonar uma versão do futuro que já havia construído mentalmente.
Quando uma relação termina, um projeto não funciona ou uma oportunidade desaparece, não é apenas aquela situação que se perde.
Muitas vezes, também é necessário se despedir de tudo aquilo que se imaginava vivendo a partir dela.
É justamente nesse período de incerteza que Érica considera a espiritualidade uma fonte de sustentação.
A oração, segundo ela, não precisa existir apenas para pedir que determinada situação seja revertida, mas também para buscar discernimento e força para atravessar uma nova fase.
“Às vezes, pedimos para Deus devolver aquilo que perdemos, quando precisamos pedir coragem para descobrir o que Ele ainda tem para nós. Recomeçar também é um exercício de fé, porque você dá um passo sem conhecer todo o caminho”, afirma.
Para Érica Rios, aceitar que a vida tomou uma direção diferente não significa desistir de sonhos ou deixar de fazer planos.
Significa compreender que nem sempre será possível controlar quando e como cada capítulo acontecerá.
“Uma mudança de rota não determina o fim da nossa história. Talvez hoje você não entenda por que algumas coisas não aconteceram como queria. Continue fazendo a sua parte, continue orando e não perca a fé porque a sua vida não seguiu o calendário que você criou. Deus não precisa seguir os nossos planos para continuar tendo um propósito para nós”, conclui.









