Os jornalistas e comentaristas da GloboNews voltaram à tranquilidade dos estúdios.
Com os resultados das eleições de ontem, teria chegado ao fim o medo de uma possível perseguição aos jornalistas e comentaristas que se posicionaram ao lado do candidato vencedor.
Isso faz parte da vida em uma grande redação, seja na televisão, nos jornais ou na internet. É assim que funciona o mercado da comunicação.
Jornalistas e comentaristas que apostaram em um dos lados e permitiram que esse posicionamento fosse ao ar, em vez de manter a discrição, poderiam, sim, ser substituídos em uma eventual mudança política.
Os meios de comunicação são particularmente sensíveis a essas mudanças, porque seus proprietários nem sempre podem se posicionar contra os governantes. Existe uma dependência financeira em qualquer época, assim como a necessidade de manter uma postura pública que, muitas vezes, não corresponde inteiramente às convicções pessoais.
Lembro-me de quando Silvio Santos declarou que sempre estaria ao lado de quem comandasse o país, sob o argumento de que a televisão era uma concessão do governo.
Tanto a televisão quanto o rádio dependem de concessões públicas. É justamente por isso que outras mídias, como portais, sites, jornais e veículos semelhantes, tendem a ser menos afetadas pelas mudanças de governo.
Ninguém acredita que um jornalista não tenha posicionamento político, pois todos somos humanos e temos emoções.
Mas repito: a partir de 1950, com o fim do período da ditadura de Getúlio Vargas, os jornalistas passaram a desfrutar de uma liberdade que não tinham durante os 15 anos daquele regime.
O que se viu, a partir de então, nas redações foi a predominância de um perfil que, segundo minha avaliação, era 80% progressista e socialista.
Durante a ditadura militar, sobreviveram os jornalistas e escritores que souberam lidar com os militares. Muitos deles contavam com a proteção de Roberto Marinho, que exercia grande influência em Brasília.
Além da TV Globo, apenas o proprietário da revista Visão, Henry Maksoud, garantia viagens para fora do país a pessoas perseguidas pelo regime.
Agora, diante das eleições de ontem e de tudo o que aconteceu, os jornalistas e comentaristas da GloboNews estariam a salvo de determinadas atitudes dos proprietários da emissora.





