Alemanha discute proibição de óculos inteligentes da Meta depois de gravações ilegais

Deu ruim: lançamento de óculos da Meta é marcado por falhas

Com mais de 7 milhões de exemplares vendidos ao redor do mundo no ano passado, os óculos inteligentes da Meta geram preocupações de privacidade em diversos países.

Na Alemanha, onde é robusta a cultura da proteção de dados pessoais, especialistas falam numa possível proibição da tecnologia, que pode ser usada para filmar pessoas sem consentimento, enquanto autoridades já propõem medidas localizadas.

Óculos inteligentes viram febre em pegadinhas, mas acendem alerta sobre exposição indevida nas redes

Segundo a imprensa alemã, o órgão regulador das telecomunicações no país examina o caso. Em recente entrevista para a emissora ARD, o comissário de proteção de dados encarregado dos serviços da Meta na Alemanha, Thomas Fuchs, disse que o seu gabinete já toma ações para prevenir filmagens escondidas com os óculos, bem como a imposição de multas por gravações proibidas.

o CEO da Meta, Mark Zuckerberg, usa óculos Meta Ray-Ban Display durante apresentação da nova linha de óculos inteligentes no evento Meta Connect, em Menlo Park, Califórnia (EUA), em 17 de setembro de 2025.

REUTERS/Carlos Barria

O especialista ainda acrescentou que, pela dificuldade de distinguir os óculos inteligentes no cotidiano e de identificar quando a câmera está ativa, haveria justificativa legal para uma proibição completa. A distribuição de imagens de outra pessoa sem o seu consentimento é vedada pela lei alemã.

A preocupação sobre o tema já foi levantada por organizações especializadas, partidos políticos e cidadãos. A organização HateAid, focada em direitos digitais, alertou que “óculos inteligentes com câmeras permitem gravações discretas, sem que as pessoas envolvidas percebam. E são justamente esses tipos de gravações que estão cada vez mais aparecendo nas redes sociais.”

Preocupação com piscinas e saunas

Em Hamburgo, uma mulher teria sido filmada inadvertidamente ao ser abordada por um desconhecido quando tomava sol, de biquíni, na beira de um lago. As imagens foram, depois, postadas na rede social TikTok, segundo a ARD.

Incidentes parecidos já foram reportados em outras cidades da Alemanha, como Colônia, de acordo com relatos da mídia.

Em Potsdam, nas imediações de Berlim, autoridades aprovaram em junho uma proibição dos óculos em piscinas e saunas. A mesma medida foi proposta pelo partido A Esquerda em Hamburgo.

O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, chega ao Tribunal de Los Angeles.

REUTERS/Mike Blake

Nos Estados Unidos, o estado de Nova York proibiu o uso de óculos inteligentes em tribunais de todos os níveis, a fim de evitar gravações indevidas.

A preocupação, segundo autoridades, veio à tona depois que membros da equipe de segurança de Mark Zuckerberg, CEO da Meta, usaram os dispositivos durante julgamento dele na Califórnia.

Revisão humana de imagens sensíveis

Em fevereiro, dois jornais suecos revelaram que trabalhadores terceirizados pela Meta no Quênia tinham acesso a imagens sensíveis filmadas pelos óculos de usuários, incluindo nudez e conteúdo sexual.

A Meta afirmou, então, que os trabalhadores poderiam ver os vídeos compartilhados pelos usuários com a empresa.

Mas o caso gerou controvérsia internacional, com autoridades do Quênia e do Reino Unido expressando preocupação.

Um processo foi aberto nos Estados Unidos contra a Meta, que cancelou mais tarde o contrato com a empresa do Quênia.

Os óculos inteligentes da Meta já estão disponíveis para venda também no Brasil.

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