Adriana Araújo, apresentadora do Jornal da Band, se tornou um dos nomes mais comentados após fazer um forte desabafo, ao vivo, na noite desta segunda-feira (15).
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Assim como em outros casos, a âncora fez questão de abrir o coração durante o telejornal e soltou o verbo sobre as atitudes da juíza Elizabeth Louro ao longo dos anos.
Para quem não acompanhou, Adriana Araújo questionou a postura da magistrada que cuidou recentemente do caso Henry Borel e fez um discurso ao conceder o perdão judicial para Monique Medeiros, mãe do menino.
Indignada com a decisão, a apresentadora do Jornal da Band usou seu espaço no telejornal. “Versão Elizabeth Louro 2011. Paixão maldita cega um homem. Ele perde a cabeça e degola uma mulher. Coitadinho, não merece ficar preso”, começou.
Em seguida, Adriana Araújo destacou a diferença entre as decisões de 2011 e 2026. “Versão Elizabeth Louro 2026. Monique Medeiros foi massacrada pela opinião pública, condenada pelo machismo. Coitadinha, merece perdão. Você conseguiu entender alguma coisa? Nem eu”, acrescentou.
A jornalista então deixou claro que, na sua visão, se a juíza compreendesse a luta das mulheres, jamais teria perdoado um feminicida. Da mesma forma, afirmou que a decisão mais recente não deveria ter interferido na condenação estabelecida pelo Tribunal do Júri.

“Se a juíza compreendesse minimamente a luta das mulheres, a versão 2011 jamais teria perdoado um feminicida cruel. E a versão 2026 jamais teria atropelado o tribunal do júri que condenou Monique por omissão. Meritíssima, não é tão difícil entender. O que a sociedade está pedindo é punição rigorosa pra quem comete crimes bárbaros, seja homem ou mulher. Simples assim”, afirmou.
“Agora o que a gente já entendeu claramente é que a juíza não gosta de crítica. Mas vamos fazer o quê: noticiar essas loucuras e fazer cara de paisagem? Desculpa, mas não dá”, concluiu.
Vale destacar que o iG tentou contato com o II Tribunal do Júri da Capital do Rio de Janeiro, onde a juíza Elizabeth Louro trabalha, mas, até o momento do fechamento desta matéria, não obteve resposta. No entanto, o espaço continua aberto.
Caso Henry e perdão da juíza
Embora nem todo mundo saiba, Monique Medeiros, mãe do menino Henry Borel, não foi absolvida pela morte do filho. Após os jurados concluírem que não houve dolo, ou seja, intenção de matar, a acusação foi desclassificada para homicídio culposo, o que permitiu à juíza Elizabeth Louro aplicar o perdão judicial, hipótese prevista no Código Penal.

Entretanto, é crucial destacar que o benefício não afasta o reconhecimento do crime, apenas dispensa a aplicação da pena quando se entende que as próprias consequências do ato causaram ao autor sofrimento tão intenso que a punição do Estado se torna desnecessária.
Na ocasião, ao fundamentar a decisão, a magistrada usou argumentos relacionados à maternidade, à discriminação de gênero e ao impacto emocional da perda do filho.
Na sentença, Elizabeth Louro destacou que Monique foi alvo de um tratamento diferente daquele que seria destinado a um homem. “Fosse o pai — e não a mãe — na mesma situação, nem sequer teria sido ele processado, como é regra nos processos de igual natureza”, declarou.
Por fim, a magistrada apontou uma “reação desproporcional e desmesurada da sociedade em face da conduta imputada à acusada Monique, na modalidade omissiva, claramente discriminatória de gênero, influenciada pela cultura patriarcal que lamentavelmente ainda norteia e permeia a mentalidade e as práticas sociais”.

















