Uma bolsa de “couro de dinossauro” criada em laboratório vai virar peça de museu e também de leilão milionário. O acessório, inspirado em proteínas reconstruídas do Tiranossauro rex, promete chamar atenção tanto pela tecnologia quanto pelo preço elevado. As informações são do USA Today.
A primeira bolsa feita com couro cultivado em laboratório a partir de sequências proteicas do T. rex foi exibida a partir de 2 de abril de 2026 no Art Zoo Museum, em Amsterdã. Após seis semanas de exposição, o item será leiloado para o maior lance.
O valor inicial impressiona: 500 mil libras, cerca de US$ 663 mil (R$ 3,3 milhões).

A bolsa de Tiranossauro rex é peça única no mundo
Por enquanto, a bolsa é uma peça única, criada pela marca polonesa Enfin Levé. No entanto, especialistas acreditam que a aceitação entre consumidores de luxo e influenciadores pode abrir caminho para produtos semelhantes no mercado.
Segundo Bas Korsten, diretor criativo global da VML, o objetivo é mudar a forma como materiais cultivados em laboratório são vistos.
O material foi desenvolvido em parceria com as empresas The Organoid Company e Lab-Grown Leather Ltd.. As companhias anunciaram o projeto em maio de 2025, revelando que utilizaram fragmentos de colágeno encontrados em fósseis de dinossauros.
Com ajuda de biotecnologia e inteligência artificial, os cientistas sintetizaram DNA e o inseriram em células especiais, capazes de produzir um material com comportamento semelhante ao couro.
O CEO da The Organoid Company, Thomas Mitchell, afirmou que a iniciativa representa um avanço da biologia sintética para além da medicina, chegando à inovação sustentável de materiais.
Apesar do entusiasmo, o projeto também enfrenta críticas. O paleontólogo Thomas Holtz Jr., da University of Maryland, questiona a autenticidade do material. Para ele, não é possível reproduzir pele real de T. rex, já que não existe DNA completo disponível da espécie.
As empresas, por outro lado, defendem que o material oferece benefícios semelhantes aos da pele do dinossauro, com a vantagem de não exigir curtimento químico, processo comum no couro tradicional e associado à poluição da água.
O CEO da Lab-Grown Leather, Che Connon, destacou que a tecnologia permite criar materiais inovadores e eticamente responsáveis.
Visualmente, a bolsa chama atenção pelo design sofisticado. Em tom verde-azulado escuro, ela lembra acessórios dignos da realeza de Game of Thrones. O modelo tem tamanho semelhante ao de uma bolsa de mão, com detalhes metálicos inspirados em hélices de DNA, além de zíper frontal e aberturas que permitem expansão.
Para o designer Michal Hadas, fundador da Enfin Levé, o material ditou a forma final do produto.
A peça será exibida ao lado de uma réplica em tamanho real de um Tiranossauro rex do Naturalis Biodiversity Center, localizado na cidade de Leiden, também na Holanda.
A longo prazo, os criadores esperam que a tecnologia se torne mais comum na indústria da moda, ampliando o uso de materiais sustentáveis sem abrir mão da exclusividade.










