O autor Bruno Luperi esteve no Fantástico, no último domingo (12). Na revista eletrônica global, ele falou sobre a morte do avô, o autor Benedito Ruy Barbosa (1931-2026), que faleceu na última terça-feira (7), aos 95 anos. O neto do cronista rural falou da dificuldade em assinar os seus remakes.
Luperi, que reescreveu clássicos de sucesso do avô, como Pantanal em 2022 e Renascer, em 2024, contou que teve fortes brigas com o criador de Juma Marruá.
Segundo ele, ao readaptar as versões, sofreu bastante com a cobrança do público para que ele não alterasse o enredo original de 1990, de Pantanal, da novela Renascer, de 1993.
“Eu pego pela cobrança que o público me deu quando eu fui mexer em Pantanal e Renascer. ‘Olha o que você vai fazer’, ‘não estraga essa novela’. Juma Marruá, José Leôncio, José Inocêncio, João Pedro. Ele criou essas personagens que ainda estão aí”, soltou.
Bruno enfatizou que tudo se alterava no núcleo familiar de Benedito enquanto ele estava com uma novela em exibição. A situação era distinta quando de férias, por exemplo.
“Se estava no ar, trabalhando em uma obra, a presença dele era no escritório. Então, sempre estava no cantinho dele, rindo, chorando, vivendo em outro mundo. Era um astronauta; ele ia para um outro universo e voltava. E o avô, que ele foi incrível, um contador de histórias maravilhoso”, soltou.
Trajetória de Benedito Ruy Barbosa
Natural de Gália, no interior de São Paulo, Benedito Ruy Barbosa nasceu em 17 de abril de 1931. A infância em Vera Cruz, cercado por cafezais e por comunidades de imigrantes italianos e japoneses, serviu de inspiração para muitas das histórias que escreveria ao longo da carreira.
Na Globo, Benedito estreou em 1976 com O Feijão e o Sonho e consolidou um estilo próprio ao retratar o Brasil rural em novelas que se tornaram clássicos da teledramaturgia. Entre os maiores sucessos estão Meu Pedacinho de Chão, Sinhá Moça, Cabocla e Paraíso, produções que marcaram o horário das 18h.
Em 1990, o autor revolucionou a televisão brasileira ao escrever Pantanal, exibida pela TV Manchete. A novela inovou ao apostar em locações reais e cenas externas, retratando a natureza e a vida no campo com um realismo até então pouco explorado na dramaturgia nacional. O enorme sucesso da trama influenciou diversas produções posteriores.







