Quando o assunto é Coca-Cola ou Pepsi, a primeira diferença que vem à cabeça costuma ser o sabor. A Pepsi é conhecida por ser mais doce e ter um toque cítrico, enquanto a Coca-Cola apresenta notas mais frutadas e de baunilha. Mas a disputa entre as duas gigantes está longe de ficar apenas na preferência de quem abre uma lata.
Enquanto a Coca-Cola concentra seus negócios no mercado de bebidas, a PepsiCo construiu uma operação que reúne refrigerantes, bebidas esportivas, alimentos e snacks. São modelos diferentes que ajudam a explicar os resultados e os desafios de cada empresa.
Coca-Cola aposta no mercado de bebidas

A Coca-Cola está em mais de 200 países e tem um portfólio focado nas bebidas. Além do refrigerante tradicional, a empresa atua em categorias como hidratação, bebidas esportivas, café, chá, sucos e opções sem açúcar.
Um dos destaques recentes foi a Coca-Cola Zero Sugar, que registrou crescimento de 16% em volume. A marca Coca-Cola também teve seu crescimento de volume mais forte em 17 anos, desconsiderando o período de recuperação após a pandemia da covid-19.
A Copa do Mundo FIFA 2026 também ajudou a ampliar a presença da marca. A campanha chegou a mais de 20 milhões de pontos de venda e gerou cerca de 9 bilhões de visualizações.
A estratégia usada pela companhia é fortalecer marcas conhecidas e ampliar a presença delas em diferentes momentos de consumo.
PepsiCo escolheu um caminho mais amplo

A PepsiCo seguiu outra direção. Além da Pepsi, a companhia reúne marcas como Gatorade, Lay’s, Doritos e Cheetos.
Na prática, isso permite que a empresa esteja presente em diferentes momentos do dia, seja com uma bebida esportiva, um refrigerante ou um snack.
A diversidade de produtos ajuda a companhia a compensar dificuldades em uma só categoria, mas também aumenta a exposição a custos de produção, matérias-primas, transporte e logística.
A PepsiCo vem tentando acompanhar as mudanças no consumo com produtos ligados a hidratação, proteína, fibra, energia e opções sem açúcar.
Qual modelo é melhor?
A resposta depende do que for ser analisado. A Coca-Cola tem uma operação mais focada. A PepsiCo possui uma estrutura maior e diversificada.
Uma concentra seus investimentos em bebidas. A outra tenta aproveitar várias categorias para gerar receita.
E é justamente aí que começa a aparecer a diferença entre as duas.

A “guerra das colas”
A rivalidade começou no século 19. A Coca-Cola foi criada em 1886 e a Pepsi em 1898, dando origem à chamada “guerra das colas”.
Por cerca de anos, a competição ficou marcada por campanhas publicitárias, testes de sabor e disputa pela preferência dos consumidores.
Hoje, além do sabor, o consumidor também presta atenção em açúcar, calorias, ingredientes e propostas consideradas mais saudáveis.
Com essa questão, as versões 0 açúcar ganharam espaço. A Coca-Cola vem se destacando com a Zero Sugar, enquanto a PepsiCo tenta acompanhar a tendência com bebidas funcionais e opções com menos açúcar.
PepsiCo sente pressão na América do Norte
Na América do Norte que alguns dos desafios da PepsiCo ficam mais evidentes.
A receita orgânica da região caiu 0,5%. A PepsiCo Foods North America registrou queda de 2%, enquanto o volume orgânico da divisão de bebidas na América do Norte recuou 4%.
Depois do período de inflação, o consumidor ficou mais atento aos preços e passou a buscar alternativas mais baratas. Com isso, marcas próprias de supermercados ganharam espaço e alguns produtos tradicionais perderam volume.
A PepsiCo respondeu com reduções seletivas de preços para tentar recuperar o consumo. A administração afirma que o volume da categoria na América do Norte já está melhorando e que a participação de mercado está se recuperando. Ainda assim, a empresa enfrenta dificuldades com espaço nas prateleiras e com o canal de conveniência.
A Coca-Cola não está livre de desafios
Na Ásia-Pacífico, o preço/mix caiu 9%. De acordo com a empresa, parte do movimento está ligada a investimentos em preços mais acessíveis, incluindo mini latinhas na Índia e pontos de entrada mais baratos na China.
Essa estratégia pode reduzir o preço médio no curto prazo, mas busca aumentar o acesso aos produtos.
A Coca-Cola possui sete das 10 principais marcas na Índia, mostrando a importância desse mercado para a companhia.
Por isso, o resultado negativo na região não representa necessariamente uma perda estrutural. É também consequência de uma escolha para ganhar espaço.
Os números mostram a diferença
Os resultados recentes ajudam a entender os caminhos escolhidos pelas duas empresas.
A Coca-Cola registrou receita de US$ 13,38 bilhões (R$ 69.040.800.000) no segundo trimestre de 2026, alta de 6,7%. O volume global de caixas unitárias aumentou 5%, enquanto a margem operacional chegou a 34,9%. O lucro por ação comparável cresceu 11%.
A PepsiCo, por outro lado, registrou receita de US$ 24,18 bilhões ( R$ 124,76 bilhões) , alta de 6,4%. O crescimento orgânico da receita foi de 2,4%.
Apesar de ter uma receita maior, a empresa enfrenta pressão em algumas divisões. A América Latina Foods cresceu 15%, a Ásia-Pacífico Foods avançou 12% e a EMEA teve alta de 10%, enquanto a PepsiCo Foods North America caiu 2%. A margem operacional central também recuou 40 pontos-base.
Ou seja, a PepsiCo continua tendo a maior receita, mas precisa transformar esse tamanho em crescimento e rentabilidade.
Investidores também fazem suas escolhas
Em um período de um ano, as ações da Coca-Cola subiram cerca de 33,8%, enquanto as da PepsiCo recuaram aproximadamente 1,6%.
O desempenho mostra que, neste momento, os investidores enxergam a Coca-Cola com mais confiança.
Mas, a PepsiCo negocia com um múltiplo de preço/lucro futuro menor. Para quem acredita em uma recuperação da companhia, isso pode representar uma oportunidade.
A Coca-Cola tem uma avaliação mais alta, mas oferece ao mercado uma percepção maior de estabilidade.
Dividendos seguem como ponto forte
As duas empresas também mantêm um histórico importante de retorno aos acionistas.
A PepsiCo aumentou seu dividendo anual em 4% em 2026, para US$ 5,92 (R$ 30,48) por ação. Foi o 54º ano consecutivo de aumento.
A empresa também espera devolver aproximadamente US$ 8,9 bilhões (R$ 45,9 bilhões) aos acionistas em 2026, entre dividendos e recompras de ações.
A Coca-Cola, por sua vez, prevê aproximadamente US$ 12,4 bilhões( R$ 64,01 bilhões) em fluxo de caixa livre no ano.
Para quem investe pensando em renda, os dividendos continuam sendo um dos pontos fortes das duas companhias.
PepsiCo tenta mudar sem abandonar suas marcas
A companhia vem cortando marcas de snacks, fechando fábricas e buscando melhorar a eficiência. E ao mesmo tempo, tenta entrar em categorias que estão crescendo.
Um exemplo é a Poppi, marca de refrigerantes funcionais adquirida pela PepsiCo por cerca de US$ 2 bilhões (R$ 10,32 bilhões). A compra mostra a tentativa de acompanhar consumidores interessados em bebidas com propostas diferentes das colas tradicionais.
A empresa também aposta em marcas como Poppy, de snacks à base de pipoca, e Siete, voltada para alimentos mexicanos sem glúten.
A ideia é ampliar as opções sem abandonar o negócio principal.
Coca-Cola prefere manter o foco
A companhia investe em bebidas sem açúcar, hidratação e outras categorias com potencial de crescimento.
A Coca-Cola precisa manter o ritmo de crescimento e provar que consegue sustentar os resultados mesmo depois dos grandes eventos de 2026.
A PepsiCo, porém, precisa recuperar volume, principalmente na América do Norte, controlar custos e mostrar que sua diversificação continua sendo uma vantagem.
No fim, a disputa não é mais apenas sobre qual bebida tem o melhor sabor.
A verdadeira competição está em quem consegue entender mais rápido o que o cliente quer, controlar melhor os custos e transformar essas mudanças em crescimento.
Até o momento, a Coca-Cola segue sendo a preferida. Mas a guerra entre as duas está longe de acabar.
*Estagiária sob supervisão










