A Imperatriz Leopoldinense passa pela Sapucaí com muitas peles, faces e aclamando o novo. O enredo “Camaleônico”, celebra o legado de Ney Matogrosso e como ele fez do seu corpo um ponto poético, enfrentando a Ditadura Militar, além de recusar rótulos.
A escola mergulhou na trajetória de Ney Matogrosso para construir um tributo à altura de sua grandeza artística no Carnaval 2026. Com o enredo Camaleônico, a escola verde e branca exalta o artista que reinventou a música, o corpo e a liberdade de expressão no Brasil, atravessando décadas com ousadia, coragem e originalidade.
Cantor, performer e símbolo de transgressão, Ney é apresentado como um ser em constante metamorfose. Da força ancestral evocada em cena à maquiagem marcante e à presença magnética, o desfile traduziu em alegorias, fantasias e samba-enredo a pluralidade de um artista que nunca se deixou aprisionar por rótulos.
A Imperatriz destacou não apenas o intérprete consagrado, mas o homem que transformou o palco em território de resistência e poesia.
Ao revisitar momentos emblemáticos de sua carreira, dos tempos revolucionários à frente dos Secos & Molhados às fases solo marcadas por liberdade estética e afirmação política, a escola propõe uma jornada sensorial e emocional. Camaleônico é, acima de tudo, uma celebração da arte como instrumento de enfrentamento, beleza e transformação, reafirmando Ney Matogrosso como um patrimônio vivo da cultura brasileira.
Ficha técnica
Enredo: Camaleônico Presidente: Cátia Drumond Carnavalesco: Leandro Vieira Intérprete: Pitty de Menezes Mestre de bateria: Lolo Rainha de Bateria: Iza Primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira: Phelipe Lemos e Rafaela Theodoro Comissão de Frente: Patrick Carvalho.
Samba-enredo
(Eu juro que é melhor se entregar) (Ao jeito felino, provocador) (Minha Imperatriz)
Devoro pra ser devorado Não vejo pecado ao sul do Equador
Se joga na festa, esquece o amanhã Minha escola na rua pra ser campeã Se joga na festa, esquece o amanhã Minha escola na rua pra ser campeã
Vem, meu amor Vamos viver a vida Bota pra ferver, que o dia vai nascer feliz na Leopoldina Vem, meu amor Vamos viver a vida Bota pra ferver, que o dia vai nascer feliz na Leopoldina
Sou meio homem, meio bicho O silêncio e o grito Pássaro-mulher Que pinta a verdade no rosto Traz a coragem no corpo E nunca esconde o que é Pelo visível, indefinível Ressignifica o frágil O que confunde é o desbunde Do que desafia o fácil
Canto com alma de mulher Arte que sabe o que quer E não se esqueça
Eu sou o poema que afronta o sistema A língua no ouvido de quem censurar Livre para ser inteiro, pois Sou homem com H Eu sou o poema que afronta o sistema A língua no ouvido de quem censurar Livre para ser inteiro, pois Sou homem com H E como sou
O bicho, bandido, pecado e feitiço Pavão de mistérios, rebelde, catiço A voz que a cálida rosa deu nome A força de Atenas que o mau não consome O sangue latino que vira Vira, vira lobisomem
Eu juro que é melhor se entregar Ao jeito felino, provocador Devoro pra ser devorado Não vejo pecado ao sul do Equador
Se joga na festa, esquece o amanhã Minha escola na rua pra ser campeã Se joga na festa, esquece o amanhã Minha escola na rua pra ser campeã
Vem, meu amor Vamos viver a vida Bota pra ferver, que o dia vai nascer feliz na Leopoldina Vem, meu amor Vamos viver a vida Bota pra ferver, que o dia vai nascer feliz na Leopoldina
Sou meio homem, meio bicho O silêncio e o grito Pássaro-mulher Que pinta a verdade no rosto Traz a coragem no corpo E nunca esconde o que é Pelo visível, indefinível Ressignifica o frágil O que confunde é o desbunde Do que desafia o fácil
Canto com alma de mulher Arte que sabe o que quer E não se esqueça
Eu sou o poema que afronta o sistema A língua no ouvido de quem censurar Livre para ser inteiro, pois Sou homem com H Eu sou o poema que afronta o sistema A língua no ouvido de quem censurar Livre para ser inteiro, pois Sou homem com H E como sou
O bicho, bandido, pecado e feitiço Pavão de mistérios, rebelde, catiço A voz que a cálida rosa deu nome A força de Atenas que o mau não consome O sangue latino que vira Vira, vira lobisomem
Eu juro que é melhor se entregar Ao jeito felino, provocador Devoro pra ser devorado Não vejo pecado ao sul do Equador
Se joga na festa, esquece o amanhã Minha escola na rua pra ser campeã Se joga na festa, esquece o amanhã Minha escola na rua pra ser campeã
Vem, meu amor Vamos viver a vida Bota pra ferver, que o dia vai nascer feliz na Leopoldina Vem, meu amor Vamos viver a vida Bota pra ferver, que o dia vai nascer feliz na Leopoldina
Detalhes
Por volta da 1h22, os portões fecharam e a escola realizou o desfile em 79 minutos.
Sobre a Imperatriz Leopoldinense
É uma escola de samba da cidade do Rio de Janeiro, sediada no bairro de Ramos. A escola foi fundada em 6 de março de 1959, pelo farmacêutico Amaury Jório, com alguns sambistas. Seu nome faz referência à Estrada de Ferro Leopoldina, que cortava o bairro de Ramos, e recebeu em Referência à Imperatriz Maria Leopoldina do Brasil.
No ano de 2023, a Imperatriz foi declarada como patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Rio de Janeiro. A Imperatriz tem como cores o verde, branco e ouro. O símbolo da Imperatriz é a coroa do Primeiro Reinado, período no qual a Imperatriz Maria Leopoldina de Áustria reinou no Brasil.



















