Confira os detalhes do desfile da Unidos da Tijuca

Unidos da TijucaRodrigo T. Ribeiro/iG

A Unidos da Tijuca leva para a Marquês de Sapucaí um desfile de forte impacto histórico e emocional ao homenagear Carolina Maria de Jesus, uma das vozes mais potentes e silenciadas da literatura brasileira. Inspirada na obra Quarto de Despejo, a escola constrói uma narrativa que transforma dor, fome e abandono em denúncia, memória e afirmação.

O enredo, intitulado “A Voz que Emergiu do Quarto de Despejo”, corrige apagamentos históricos ao colocar o nome completo da autora no centro da narrativa e devolver a Carolina o direito ao passado, à dignidade e à eternidade simbólica. Estruturado como um livro aberto na avenida, o desfile percorre prólogo, capítulos e epílogo, conduzindo o público pela vida da escritora, da infância em Minas Gerais à favela do Canindé, em São Paulo, onde sua escrita revelou ao mundo as entranhas de uma sociedade marcada pela desigualdade.

A Tijuca transforma a palavra em alegoria e o diário em manifesto. Cada setor do desfile traduz a fé, a ancestralidade negra, a resistência feminina e a lucidez de uma mulher que escreveu para sobreviver e, sem saber, revolucionou a literatura brasileira. A publicação de Quarto de Despejo, em 1960, surge na avenida como momento de ruptura: quando a voz da favela atravessa muros e fronteiras, tornando-se fenômeno internacional.

Unidos da TijucaFoto: Rodrigo T. Ribeiro/iG
Unidos da TijucaFoto: Rodrigo T. Ribeiro/iG
Unidos da TijucaFoto: Rodrigo T. Ribeiro/iG
Unidos da TijucaFoto: Rodrigo T. Ribeiro/iG
Unidos da TijucaFoto: Rodrigo T. Ribeiro/iG
Unidos da TijucaFoto: Rodrigo T. Ribeiro/iG
Unidos da TijucaFoto: Rodrigo T. Ribeiro/iG

Ao revisitar sua trajetória até a morte solitária e o reconhecimento tardio, a Unidos da Tijuca faz do Carnaval um ato de reparação histórica. O desfile não apenas celebra Carolina Maria de Jesus, ele a reposiciona no lugar que sempre lhe pertenceu: o da imortalidade literária e da consciência social brasileira.

Samba-enredo 

(Carolina de Jesus) (Sou Carolina Maria de Jesus, aquela que venceu a fome) (Escrevendo o Brasil)

Sou a liberdade, mãe do Canindé

Muda essa história, Tijuca Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é o nosso jeito de escrever

Muda essa história, Tijuca Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é o nosso jeito de escrever

Eu sou filha dessa dor Que nasceu no interior de uma saudade Neta de Preto Velho que me ensinou os mistérios Bitita cor, retinta verdade Me chamo Carolina de Jesus Dele herdei também a cruz Dele herdei também a cruz

Olhe em mim, eu tenho as marcas Me impuseram sobreviver Por ser livre nas palavras Condenaram meu saber Fui a caneta que não reproduziu A sina da mulher preta no Brasil

Os olhos da fome eram os meus Justiça dos homens não é maior que a de Deus Meu quarto foi despejo de agonia A palavra é arma contra a tirania Os olhos da fome eram os meus Justiça dos homens não é maior que a de Deus Meu quarto foi despejo de agonia A palavra é arma contra a tirania

Sonhei sobre as páginas da vida Ilusões tolhidas no sistema algoz Que tenta apagar nossa grandeza Calar a realeza que resiste em nós Dos salões da burguesia aos barracos do Borel Onde nascem Carolinas, não seremos mais os réus

Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado Meu país nasceu com nome de mulher Sou a liberdade, mãe do Canindé

Muda essa história, Tijuca Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é o nosso jeito de escrever

Muda essa história, Tijuca Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é o nosso jeito de escrever

Eu sou filha dessa dor Que nasceu no interior de uma saudade Neta de Preto Velho que me ensinou os mistérios Bitita cor, retinta verdade Me chamo Carolina de Jesus Dele herdei também a cruz Dele herdei também a cruz

Olhe em mim, eu tenho as marcas Me impuseram sobreviver Por ser livre nas palavras Condenaram meu saber Fui a caneta que não reproduziu A sina da mulher preta no Brasil

Os olhos da fome eram os meus Justiça dos homens não é maior que a de Deus Meu quarto foi despejo de agonia A palavra é arma contra a tirania Os olhos da fome eram os meus Justiça dos homens não é maior que a de Deus Meu quarto foi despejo de agonia A palavra é arma contra a tirania

Sonhei sobre as páginas da vida Ilusões tolhidas no sistema algoz Que tenta apagar nossa grandeza Calar a realeza que resiste em nós Dos salões da burguesia aos barracos do Borel Onde nascem Carolinas, não seremos mais os réus

Por tantas Marias que viram seus filhos crucificados Nas linhas da vida, verbo na ferida, deixei meu legado Meu país nasceu com nome de mulher Sou a liberdade, mãe do Canindé

Muda essa história, Tijuca Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é o nosso jeito de escrever

Muda essa história, Tijuca Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é o nosso jeito de escrever

Muda essa história, Tijuca Tira do meu verso a força pra vencer Reconhece o seu lugar e luta Esse é o nosso jeito de escrever

Sobre a Unidos da Tijuca

A Unidos da Tijuca é uma escola de samba brasileira do Rio de Janeiro, sediada no Morro do Borel, bairro da Tijuca. A escola foi fundada em 1931, sendo uma das mais antigas em atividade no Brasil.

A Tijuca possui quatro títulos de campeã no Carnaval carioca, conquistados em 2010, 2012 e 2014.

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