Aquele celular antigo esquecido na gaveta, o notebook que não funciona mais ou os cabos que se acumulam em casa ganharam uma nova opção de descarte. Os Correios passaram a receber gratuitamente equipamentos eletroeletrônicos sem uso em 6.868 agências que oferecem o serviço Balcão do Cidadão em todo o país.
A iniciativa, lançada em outubro, é realizada em parceria com a Circular Brain. A proposta é facilitar a coleta de um tipo de resíduo que ainda tem índices muito baixos de destinação formal no Brasil.
O país gera cerca de 2,4 milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano, mas apenas aproximadamente 3% desse volume é formalmente coletado, segundo dados de 2022 da Global E-waste Statistics Partnership, iniciativa da União Internacional de Telecomunicações (UIT) e do Instituto das Nações Unidas para Treinamento e Pesquisa (Unitar).
Leia também: Talheres e porcelanas usados viram desconto na Tramontina
Para utilizar o novo serviço, o consumidor deve colocar os equipamentos em uma caixa, respeitando o limite total de 30 quilos, e levá-la aberta a uma agência dos Correios que tenha o Balcão do Cidadão. O atendente fecha a embalagem no momento da postagem.
É necessário informar nome, CPF, endereço, e-mail e telefone. Ao final, o consumidor recebe um comprovante do envio.
Depois da entrega, os equipamentos são encaminhados à Rede Circulare, operada pela Circular Brain, que direciona o material para o reciclador homologado mais próximo. O percurso é rastreado até a destinação final.
A facilidade pode ajudar a resolver um problema bem comum: eletrônicos que perderam a utilidade, mas permanecem durante anos guardados porque o consumidor não sabe onde entregá-los.
“Sabemos que muitas pessoas guardam esses pequenos eletrônicos em casa pois não sabem o que fazer com eles, ou porque suas cidades não são atendidas por um ponto de entrega voluntária”, afirma Marcus Oliveira, CEO da Circular Brain.
O que existe dentro da gaveta
Manter um aparelho antigo em casa pode parecer inofensivo, mas significa retirar temporariamente da cadeia materiais que poderiam ser reaproveitados. E pode pior descartar no lixo comum, pois os eletroeletrônicos representam riscos ambientais.
Celulares, computadores e outros equipamentos contém diferentes materiais que podem retornar à cadeia produtiva por meio da reciclagem.
Em 2025, a Rede Circulare processou 83 mil toneladas de resíduos eletroeletrônicos.
No Brasil, a destinação desses produtos também é uma obrigação prevista em lei. A Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/2010) e o Decreto 10.240/2020 determinam que fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes estruturem sistemas de logística reversa para eletroeletrônicos de uso doméstico.
A chegada do serviço às agências dos Correios ataca justamente uma das dificuldades para fazer esse sistema funcionar: colocar o ponto de entrega mais perto do consumidor.





