Depois de uma nota publicada na coluna Oxente Rio, do Jornal Extra chamar atenção para o personagem associado ao “Corte do Jaca”, a reportagem do Portal iG foi ao Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, para entender como o estilo é vivido na prática, nas barbearias, no dia a dia e na relação entre barbeiro e cliente.
Entre os que mantêm o corte como parte da rotina está Caio Faustino, de 20 anos. Ele conta que escolheu o “Jaca” pelo visual marcante e pela sensação de cuidado constante. “É um corte maneiro, um degradê maneiro no cabelo”, resume. Segundo ele, a manutenção é frequente: “Uma vez por semana, pra ficar sempre bonito, sempre na régua”.

Mesmo com o investimento regular, que pode chegar a cerca de R$ 50, incluindo pintura, Caio garante que vale a pena. “É um investimento que compensa”, afirma. Auxiliar de cozinha e frequentador assíduo da barbearia, ele não hesita em recomendar, “Quem quiser fazer esse corte, pode mandar vir aqui”.
Por trás da máquina está Tawer Souza, 29 anos, barbeiro conhecido na comunidade como o “Filipe Ret do Corte do Jaca”, apelido que surgiu pela semelhança física com o artista. Natural de Brejinho, no interior do Rio Grande do Norte, Tawer vive no Rio desde 2013 e diz que a comparação mudou sua relação com o estilo. “No começo eu nem era muito fã, eu era mais do forró. Mas quando começaram a falar que eu parecia com ele, fui pesquisando e hoje virei fã mesmo”, conta.

Barbeiro há cinco anos, Tawer abriu a própria barbearia no Jacarezinho e vê no corte uma marca pessoal e profissional. “Hoje eu me sinto privilegiado”, diz. O sonho, segundo ele, é ousado, mas concreto, “Meu sonho mesmo é cortar o cabelo dele. E vai se realizar”.
Além da estética, o barbeiro explica que o “Corte do Jaca” exige precisão. “É um degradê bem alinhado, vai diminuindo aos poucos, tudo muito certinho. O ideal é retocar no máximo a cada 12 dias pra ficar sempre na régua”, explica. A pigmentação, segundo ele, ajuda a reforçar o acabamento. “Aquele pretinho no esquema, bonitinho, alinhado”.

Mais do que um estilo de cabelo, Tawer vê o corte como símbolo do Rio. “O Corte do Jaca é a cara do Rio de Janeiro. É único”, afirma. E completa, ao falar de seus planos, “Minha meta é ter minha barbearia lá fora, no asfalto, e levar o nome da comunidade junto”.

Abraçado pelo Rio desde que chegou do Nordeste, Tawer se define com orgulho: “Nordestino, carioca de coração”. Um sentimento que ajuda a explicar por que o “Corte do Jaca” segue vivo, se reinventando e atravessando fronteiras, sempre com raiz na comunidade onde nasceu.











