O curta-metragem independente Virtualidade, dirigido pela cineasta Marta de Oliveira Torres, foi selecionado para a programação oficial da 12ª edição do Festival Internacional da Diversidade Sexual e de Gênero de Goiás (DIGO), um dos principais eventos voltados à temática no Centro-Oeste brasileiro.
O festival acontece entre os dias 18 e 21 de junho de 2026, com atividades realizadas simultaneamente em Goiânia e Anápolis.
A produção integra a mostra competitiva DIGO Prompt, categoria dedicada a obras que dialogam com tecnologias emergentes, inteligência artificial e novas formas de criação audiovisual.
A seleção amplia a trajetória de circulação internacional do filme, que já passou por importantes festivais fora do Brasil.
Antes de chegar ao público goiano, Virtualidade foi exibido no Chelsea Film Festival, em Nova York, e conquistou o prêmio Best Staff Pick no Around International Film Festival (ARFF), em Paris.
Mais recentemente, o curta também integrou a programação do NOX Film Fest, no Uruguai, evento especializado em produções de suspense e horror.
Com duração de 8 minutos e 35 segundos, o filme propõe uma reflexão sobre os limites entre o ambiente digital e a realidade.
A narrativa acompanha dois personagens que iniciam uma conversa por meio de um aplicativo fictício chamado Socialverse.
A partir desse encontro virtual, surge uma série de questionamentos sobre identidade, verdade e percepção em uma época marcada pela presença crescente da inteligência artificial.
Ao longo da história, os personagens são levados a confrontar uma pergunta central: o que é real no universo digital e o que pode ser considerado ilusão naquilo que chamamos de vida real?
A proposta do filme não busca apresentar respostas definitivas, mas provocar reflexões sobre a forma como as relações humanas vêm sendo construídas em um mundo cada vez mais conectado às telas.
A estética escolhida por Marta de Oliveira Torres reforça essa atmosfera de questionamento.
O curta combina elementos do cinema mudo com discussões contemporâneas sobre tecnologia.
Sem diálogos falados, a narrativa é conduzida por uma trilha sonora clássica e por uma fotografia que remete a um preto e branco amarelado, criando uma identidade visual própria.
Além da direção, Marta também assina o roteiro, a produção, a direção de fotografia e atua como protagonista da obra.
O elenco conta ainda com a participação do ator Alan Pellegrino.
As gravações externas foram realizadas em diferentes pontos do Rio de Janeiro, incluindo o Arpoador, cuja paisagem aparece em cenas que exploram a relação entre o espaço físico e o universo digital proposto pela narrativa.
A diretora celebra a participação no festival e destaca a conexão entre a proposta do evento e os temas abordados pelo curta.
“É uma honra integrar a programação do DIGO, especialmente na mostra DIGO Prompt, que dialoga diretamente com a proposta de ‘Virtualidade’: recriar o real para melhor questioná-lo. O filme nasce dessas inquietações. O que ainda é real no que vemos quando tudo pode ser simulado? O que é ilusão naquilo que chamamos de vida real? No que podemos acreditar e o que devemos duvidar? Levar esse debate ao público goiano, em um festival tão relevante, é motivo de grande alegria”, afirma.
Em sua 12ª edição, o DIGO reafirma sua proposta de promover conscientização, diversidade e respeito aos direitos humanos por meio do audiovisual.
Neste ano, o festival realiza atividades simultâneas em Goiânia, no Teatro Zabriskie e no Centro Audiovisual do Museu Nacional dos Povos Indígenas, além de sessões em Anápolis, no Cine Prime do Anashopping.
Ao todo, 52 filmes foram selecionados para as mostras competitivas, distribuídas entre as categorias DIGO Jovem, DIGO Prisma, desenvolvida em parceria com curadores universitários, e DIGO Prompt.
Com sua combinação de linguagem experimental, referências ao cinema clássico e reflexões sobre inteligência artificial, Virtualidade chega ao festival ampliando um debate cada vez mais presente na sociedade contemporânea: a forma como tecnologia, identidade e realidade se entrelaçam em uma era marcada pela constante transformação digital.









