O debate entre os candidatos à Presidência realizado pela Band no primeiro turno registrou 1,9 ponto de audiência na Grande São Paulo, com pico de 2,9. O número ajuda a dimensionar uma questão que vai além do desempenho da emissora: diante do tamanho do Brasil, quantas pessoas ainda param para assistir a um debate presidencial na televisão?
Na referência de audiência de 2026, cada ponto na Grande São Paulo representa 199.632 pessoas. Assim, a média de 1,9 ponto correspondeu a aproximadamente 379 mil telespectadores por minuto no maior mercado de televisão do maior colégio eleitoral do país.
A Região metropolitana de São Paulo tem cerca de 21 milhões de habitantes. Quando os 379 mil telespectadores são colocados apenas como referência diante desse universo, eles equivalem a 1,8% da população.
A comparação com as concorrentes mostra também que havia público diante da televisão. No mesmo horário, a Globo marcou 15,4 pontos, o SBT alcançou 6,9 e a Record registrou 5,4.
Ou seja, o telespectador estava diante da TV. A maioria simplesmente escolheu outro conteúdo.
Diferença entre Lula e Flávio amplia a comparação
O resultado do primeiro turno permite colocar a baixa audiência em outra perspectiva.
Flávio Bolsonaro (PL) terminou à frente de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com uma vantagem de aproximadamente 2 milhões de votos.
A diferença entre os dois candidatos foi, portanto, mais de cinco vezes superior às aproximadamente 379 mil pessoas que acompanharam, em média por minuto, o debate da Band na Grande São Paulo.
Para reverter uma vantagem de aproximadamente 2 milhões de votos, não basta alcançar 2 milhões de pessoas. Seria necessário que uma parcela expressiva desse público estivesse indecisa ou disposta a mudar de candidato depois de assistir ao confronto.
É aí que a audiência de 1,9 ponto ganha outra dimensão.
Quando o público que acompanha uma transmissão é pequeno diante do universo eleitoral, também diminui a possibilidade de o debate exercer influência direta suficiente para alterar sozinho o resultado das urnas.
Debate já teve audiência muito maior
A comparação com 2022 mostra como esse cenário mudou. Na eleição daquele ano, a Band chegou a registrar 13 pontos de audiência em debate presidencial. No primeiro turno de 2026, foi 1,9 ponto.
A diferença representa uma queda de aproximadamente 85% entre os índices. As contextos são diferentes. Lula e Flávio Bolsonaro, os dois candidatos que avançaram para o segundo turno, não participaram do primeiro debate da Band em 2026. A ausência dos dois principais nomes naturalmente reduziu o interesse pela transmissão.
Ainda assim, o número mostra a dificuldade atual de um debate eleitoral para concentrar grandes audiências.
Durante décadas, esses encontros estavam entre os acontecimentos mais importantes de uma campanha presidencial. Milhões de pessoas assistiam aos mesmos candidatos, no mesmo horário, durante várias horas.
O resultado de 1,9 ponto mostra uma realidade bastante diferente.
Segundo turno será teste para a Band
A Band realizará no próximo domingo (18), às 20h, o debate do segundo turno da eleição presidencial.
O encontro será um teste importante para saber quanto da baixa audiência do primeiro turno ocorreu pela ausência dos principais candidatos e quanto está relacionado à perda de força do próprio formato.
A referência de 2022 será inevitável: naquele ano, a Band chegou aos 13 pontos. Agora, parte de apenas 1,9.
Mas existe outra referência igualmente importante.
A diferença entre Flávio Bolsonaro e Lula no primeiro turno ficou em aproximadamente 2 milhões de votos. Para um debate interferir diretamente em uma distância dessa magnitude, ele precisa primeiro alcançar um contingente de eleitores compatível com ela e, depois, convencer uma parcela significativa desse público a mudar de voto.
É por isso que os 379 mil telespectadores por minuto, equivalentes em tamanho a apenas 1,8% da população da Grande São Paulo, ajudam a explicar a transformação.
O debate presidencial continua tendo importância política e jornalística. Mas, com audiências dessa dimensão, sua capacidade de mudar diretamente o resultado de uma eleição nacional se torna cada vez menor.
Em uma disputa decidida por milhões de votos, para o debate voltar a ter peso direto sobre o resultado, primeiro milhões precisam estar assistindo e as equipes dos candidatos precisam transformar o debate em cortes eficientes para as redes sociais.





