O relacionamento com o ator Gabriel Fuentes e a experiência traumática de ter sido baleado em outubro do ano passado, em Itatiaia, no Rio de Janeiro, mudaram profundamente a forma como Vittor Fernando enxerga a própria trajetória. Entre reflexões sobre amor, carreira e propósito, o artista fala ao iG com franqueza sobre o que considera essencial hoje. “Quando você tem essa percepção na prática, do quase, dificilmente alguma coisa te abala”, afirma. “Depois disso, eu comecei a realizar várias coisas que eu queria realizar, e antes eu ficava tipo ‘ah, mas e se’. Agora eu não tô nem aí. Eu quero fazer, eu vou lá e faço.”
Para ele, a proximidade com a morte trouxe clareza. “Você pode escorregar, bater a cabeça e morrer. Quando entende isso, vê que um hate, um comentário, é muito pequeno diante da grandeza que é estar vivo e ser amado.” Vittor diz que passou a priorizar as relações. “Não é mais só trabalho. Hoje eu consigo ver a importância das pessoas que eu amo, da família que mora longe, e me esforçar para estar presente. Priorizar a vida.”
Amor, arte e parceria
O namoro com Gabriel Fuentes também influencia suas decisões profissionais. Vivendo uma relação à distância, os dois mantêm contato diário e compartilham processos criativos. “A gente se fala todos os dias. Fala o tempo inteiro sobre arte. Sobre o trabalho dele, sobre o meu trabalho, sobre arte no geral.”

Vittor revela que adquiriu os direitos autorais de um livro e trabalha na adaptação para o cinema, projeto que contará com a participação do namorado. “Ele vai estar no filme também junto comigo. A gente troca muito sobre isso.” Segundo o ator, a convivência fortalece interesses em comum e amplia horizontes. “Assim como eu tenho me interessado mais por novela, ele também se conecta mais com moda, com coisas que eu gosto. A gente vai virando quase uma coisa só, respeitando a individualidade um do outro.”
Da infância nos palcos ao sucesso na internet
A vocação artística começou cedo. “Desde que eu me entendo por gente, eu estou nos palcos. Comecei a dançar balé muito novo, fazia teatro desde criança. Com 18 para 19 anos já vim para São Paulo trabalhar com teatro musical.”
Apesar da visibilidade nas redes, afirma que o teatro sempre foi sua base. “Na pandemia eu comecei a trabalhar com internet e não voltei mais para os palcos. Agora, nesse retorno, a primeira vez que a gente ensaiou numa sala de teatro eu fiquei emocionado. Eu passei uma vida inteira nesse ambiente.”
O humor, marca registrada de seus vídeos, foi descoberto aos poucos. “Eu nunca me achei engraçado, mas as pessoas me diziam que eu era. Sempre pegava personagens de comédia. Fui descobrindo através do olhar das pessoas.” Ele relembra a experiência no musical sobre Chacrinha como um divisor de águas na percepção do próprio timing cômico.
Novela como desafio
Mesmo com passagens por filmes, séries, sitcoms e um microdrama para o Globoplay, Vittor ainda não atuou em novelas. E hoje enxerga isso como meta. “Eu nunca tive muita vontade, porque sempre fui mais do teatro e do cinema. Mas hoje tenho. É a única coisa que eu ainda não fiz dentro da arte. Já dancei, já cantei, já fiz teatro, cinema, série, internet. Só falta novela.”
Ele reconhece que a televisão aberta tem um peso simbólico para o público. “Às vezes as pessoas acham que só existe se você fez novela, mas eu fiz bastante coisa que me orgulho e que amo.”
BBB, internet e críticas
Vittor acompanha o ‘Big Brother Brasil 26’ e admite que tem seus favoritos, mesmo sabendo que isso pode gerar ataques. “Eu comentei hoje e fui xingado. É igual futebol pra mim. Eu adoro assistir, comentar, brigar. Mas jogar eu não tenho vontade”, revelou ele, que disse estar torcendo por Juliano Floss e Babu Santana no reality da TV Globo.
Sobre as críticas nas redes sociais, mantém postura firme. “Se a pessoa não concorda e quiser me xingar, eu não tô nem aí. Muito provavelmente ela comenta e vai viver a vida dela. Por que eu vou ler aquilo e levar pra minha vida?” Para ele, a internet vive ciclos rápidos e superficiais. “Cada dia é uma pauta diferente, cada semana é uma moda diferente. Você tem que saber lidar com essa loucura.”
Teatro em alta e retorno aos palcos
O novo momento profissional se concretiza com o retorno ao teatro na comédia “Qualquer Gato Vira-Lata Tem Uma Vida Sexual Mais Sadia que a Nossa!”, texto original de Juca de Oliveira, direção de Alexandre Reinecke e elenco formado também por Paulo Vilhena e Duda Reis. A montagem estreia nesta sexta-feira (6), no Teatro das Artes, no Shopping Eldorado, em São Paulo.
Animado com a temporada, Vittor celebra a possibilidade de revisitar um texto clássico sob nova perspectiva. “É uma pauta que foi falada nos anos 90, mas até hoje é atual. A gente está trazendo para os dias de hoje.” Ele destaca a liberdade criativa no processo. “O Alexandre dá liberdade para a gente criar. A gente quer levar comédia para o teatro e quer que as pessoas saiam de lá se divertindo, mas também refletindo.”
Ele também observa um movimento positivo nas artes cênicas. “Eu tô orgulhoso de ver as salas cheias. Até peça que você acha que não vai dar ninguém, tem público. O reconhecimento do cinema nacional lá fora está trazendo essa força também para o teatro.”
Entre novos projetos autorais, planos para a televisão e a retomada dos palcos, Vittor Fernando vive uma fase que define como mais consciente e intensa. “Tudo que eu faço, eu faço com amor. E agora faço sabendo que estar vivo já é, por si só, o maior privilégio.”
















