Dólar sobe hoje na abertura com incertezas políticas e econômicas

DólarUnsplash/Alexander Grey

O dólar iniciou as negociações de hoje (29) com alta de 0,37%, cotado a R$ 5,3599, por volta das 9h. Nesse mesmo período, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, recuava para 170,2 mil pontos, após três sessões seguidas com perdas. Ao longo do dia, os investidores acompanham os indicadores econômicos dos Estados Unidos, os resultados de grandes empresas e os desdobramentos políticos e tributários no Brasil.

No cenário internacional, a atenção está voltada para os novos dados de inflação e crescimento econômico dos Estados Unidos. Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed), banco central americano, decidiu manter os juros entre 3,75% e 4%. Agora, o mercado busca compreender como está o processo na economia americana e quais podem ser os próximos passos da política monetária do país.

Dentre os indicadores em destaque estão o índice de preços de gastos com consumo pessoal (PCE), utilizado para acompanhar a inflação americana, e o Produto Interno Bruto (PIB), que mede o desempenho da economia. A primeira leitura do PIB nos Estados Unidos referente a esse terceiro trimestre apontou um crescimento de 3,4% em taxa anualizada. Os números auxiliam os investidores a avaliar o cenário econômico e as perspectivas para os juros.

Cenário político brasileiro também preocupa investidores

Enquanto acompanham os indicadores americanos, os investidores também mantêm a atenção voltada para a política brasileira. Um dos pontos de preocupação é a chegada do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos, na quarta-feira (28), após deixar o Brasil.

Sendo investiagao pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, Flávio declarou, em carta, ser o “legítimo presidente eleito” e, posteriormente, se apresentou como “líder do Brasil”. Apesar das declarações, os partidos de sua base de apoio reconheceram a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A presença do senador fora levanta certas preocupações sobre possíveis tensões diplomáticas entre os dois paises Um eventual aumento dos atritos pode afetar as relações entre Brasil e Estados Unidos e trazer reflexos para a economia brasileira, inclusive na cotação do dólar.

Além das questões políticas, o mercado aguarda mais informações sobre os rumos da economia no próximo mandato de Lula, especialmente a definição de quem comandará o Ministério da Fazenda.

Mudanças nos impostos entram no radar

Outro assunto acompanhado pelos investidores é a política tributária brasileira. Na quarta-feira(28), o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou a atualização das alíquotas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre gasolina, diesel e gás de cozinha, com validade a partir do próximo ano. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União (DOU).

As mudanças alteram, de fato, os valores do imposto cobrado sobre esses combustíveis. Dependendo de como os reajustes forem repassados, os efeitos também podem chegar aos preços pagos pelos consumidores.

Além do ICMS, os investidores acompanham a proposta de alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), novo tributo federal previsto na reforma tributária, onde irá buscar simplificar a cobrança de impostos sobre o consumo.

Na quarta-feira, o Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou uma proposta que prevê uma alíquota de referência de 11,3% para 2027. A medida, porém, ainda depende da aprovação do Congresso Nacional.

Desempenho do dólar e do Ibovespa

Em meio às incertezas internas e externas, os números acumulados mostram movimentos diferentes entre a moeda americana e a Bolsa brasileira.

Dólar abre em alta com mercado atento ao cenário político e econômicoConteúdo gerado por IA

Os dados indicam que o dólar acumula valorização na semana e no mês, embora ainda registre queda no ano. Já o Ibovespa apresenta perdas nos períodos mais recentes, mas permanece positivo no acumulado anual, conforme os números informados.

A pressão sobre a Bolsa também aparece nas ações de grandes empresas. Nos primeiros negócios desta quinta-feira, os papéis da Vale (VALE3), da Petrobras (PETR4) e de grande parte dos principais bancos operavam em queda.

Além disso, os investidores aguardam a divulgação dos resultados do terceiro trimestre da Vale, prevista para depois do fechamento do pregão. O balanço da mineradora está entre os destaques da sessão e pode influenciar a avaliação do desempenho da companhia pelo mercado.

Leia também: Ibovespa em queda: vale a pena investir em ações agora?

Bolsas internacionais apresentam movimentos diferentes

No mercado internacional, as bolsas asiáticas encerraram ontem em alta, impulsionadas pela recuperação das ações ligadas em inteligência artificial. O movimento ganhou força após resultados financeiros positivos da fabricante de chips SK Hynix, aumentando o otimismo em relação ao setor de tecnologia.

O índice de Xangai (SSEC) e o CSI 300, que reúne grandes empresas chinesas, avançaram 0,9%. No Japão, o Nikkei subiu 1,08%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, registrou alta de 6,63%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, teve valorização de 0,23%.

Apesar dos ganhos na Ásia, o cenário foi diferente para parte das empresas de tecnologia nos Estados Unidos. A Alphabet, controladora do Google, apresentou resultados abaixo das expectativas em seu principal negócio, a publicidade em buscas. A empresa registrou também  um forte consumo de caixa em meio aos investimentos no desenvolvimento de inteligência artificial.

Após a divulgação dos resultados, as ações da empresa caíram nas negociações realizadas depois do fechamento do mercado americano, aumentando a cautela dos investidores.

Em contrapartida, a Microsoft apresentou resultados acima das expectativas, com fluxo de caixa melhor do que o previsto. Na Ásia, a Samsung Electronics também registrou resultados recordes, impulsionados pela demanda por chips de memória.

Agora, o mercado aguarda os balanços da Amazon e da Intel, planejados para hoje Os resultados podem influenciar o desempenho das ações de tecnologia e o humor dos investidores nas próximas sessões.

Nesse cenário, os índices futuros de Wall Street operavam em queda: o Dow Jones Futuro recuava 0,25%, o S&P 500 caía 0,34% e o Nasdaq registrava baixa de 1,25%.

Outros indicadores da economia brasileira

Além das questões políticas e tributárias, os investidores acompanham dados sobre as contas públicas, o crédito e os preços no Brasil.

Conforme o Tesouro Nacional, o Governo central registrou superávit primário de R$ 4,839 bilhões em setembro. Isso significa que as receitas do governo superaram as despesas no período, sem considerar os gastos com juros da dívida pública.

Já o Banco Central informou que o estoque de crédito no país cresceu 0,4% em setembro, na comparação com o mês de agosto, chegando a R$ 7,444 trilhões. O indicador acompanha o volume de empréstimos e financiamentos concedidos na economia.

E o Índice Geral de Preços- Mercado (IGP-M), calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV), registrou alta de 1,47% em outubro. A elevação perdeu força em relação ao período anterior, com menor pressão dos preços do agronegócio.

Com os investidores atentos aos indicadores econômicos, aos resultados corporativos e às incertezas políticas, a sessão desta quinta-feira reúne diferentes fatores que podem influenciar o comportamento do dólar e da Bolsa brasileira ao longo do dia de hoje.

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