Elissa Beydoun é uma estudante da medicina e muçulmana que mora no Brasil e divide o seu tempo entre a medicina e as redes sociais. Os leitores vão conhecer o que uma jovem de 20 anos, madura, pensa das coisas.
A vida do cotidiano
1- Olha, vivo de uma forma muito tranquila e pacífica. Obviamente, já passei por situações complicadas em relação a isso e, de vez em quando, recebo perguntas inconvenientes ou comentários que demonstram certo desconhecimento sobre a minha cultura. Porém, tento lidar com essas situações com tranquilidade, porque compreendo que muitas vezes isso vem da falta de informação e de acesso ao conhecimento. No geral, tenho uma convivência muito boa com as pessoas ao meu redor, tenho muitos amigos e amigas católicos e evangélicos, e acredito que o respeito e a boa convivência são possíveis independentemente da religião. Para mim, o diálogo e a disposição para conhecer o diferente fazem toda a diferença.
O tempo entre a medicina e as redes sociais
2- Sempre tento otimizar meu tempo da melhor maneira possível para conciliar os estudos com o meu trabalho na internet. A faculdade de Medicina demanda a maior parte do meu dia e, por isso, procuro me dedicar ao máximo a ela, aproveitando os momentos livres para trabalhar com a criação de conteúdo. Gosto de focar em uma coisa de cada vez, estando realmente presente e dando o meu melhor em cada atividade. Claro que nem sempre isso é possível, e às vezes preciso interromper os estudos para resolver alguma questão do trabalho, ou vice-versa. Mas tento manter essa organização para conseguir conciliar as duas áreas sem comprometer minha dedicação à faculdade.
A importância da família
3- Minha família tem um papel fundamental em absolutamente tudo na minha vida, é assim que eu enxergo ela. Tenho um apego imenso a eles, porque são a minha base, meu porto seguro e minha maior e única fonte de força. Sempre fomos extremamente unidos, e muito do que sou hoje vem dos ensinamentos que recebi deles, minha educação, meus valores, minha resiliência, minha autoconfiança e, principalmente o amor pela nossa cultura e pelas nossas raízes.
Eles são parte de quem eu sou e de tudo o que sonho em me tornar. Tenho certeza de que não seria nem metade da pessoa que sou hoje sem o amor, o apoio e os ensinamentos da minha família. Tudo o que eu conquistar na vida também será uma forma de honrar tudo o que eles fizeram e continuam fazendo por mim.
Os sonhos e objetivos
4- Hahaha, essa é uma pergunta que eu costumo guardar para mim! Acredito que sonhos são coisas muito íntimas e delicadas, e gosto de preservar algumas coisas que são importantes para mim. Mas posso falar sobre os meus maiores objetivos. Quero construir uma trajetória sólida na Medicina, especialmente nas áreas de pesquisa e cirurgia. Ainda não decidi qual especialidade cirúrgica quero seguir, porque quero aproveitar a graduação para conhecer diferentes áreas e descobrir onde realmente me encontro. Quero crescer academicamente, contribuir para a ciência e me tornar uma profissional que faça a diferença.
Além disso, um dos meus objetivos pessoais é construir a minha própria família, levando comigo os princípios, os valores e os ensinamentos que recebi da minha. Sempre fomos muito unidos, e quero preservar esse vínculo e transmitir às próximas gerações tudo aquilo que aprendi ao longo da vida. Acho que, mais do que definir um sonho específico agora, quero construir uma trajetória da qual me orgulhe, tanto profissionalmente quanto pessoalmente.
A arte da cozinha arabe
5 Pasmem, eu não gosto nem um pouco de cozinhar kkkkkkkkkkkk, mas eu cozinho! Porém, gosto de seguir uma alimentação mais regrada, normalmente eu mesma faço e preparo uma boa parte das minhas refeições, então eu cozinho e preparo tudo quando tenho mais tempo livre.
Sobre o Islã
6- No Islã, existem princípios relacionados à modéstia e à forma como nos vestimos, e isso também se aplica às roupas de banho. Pessoalmente, sempre tive preferência por usar roupas mais cobertas, porque é algo com que me sinto mais confortável e que combina com a maneira como gosto de me vestir. Mas isso não significa que a minha família imponha essas escolhas a mim ou que exista algum tipo de proibição familiar. Pelo contrário, minha família sempre foi mais tranquila em relação a isso. Acho importante entender que existe uma diferença entre os princípios religiosos, a forma como cada pessoa escolhe praticá-los e os costumes de cada família. No meu caso, é uma escolha pessoal que tem muito a ver com os meus valores e com a forma como me sinto bem.
As paixões futuras e a formação da família
7- Sim, isso pode acontecer, afinal, não escolhemos exatamente por quem vamos nos apaixonar, e acho isso algo completamente natural. Mas, falando por mim, tenho preferência por me relacionar e construir uma família com alguém que compartilhe da minha religião e dos meus valores. Acho que, quando pensamos em casamento, não se trata apenas de gostar de alguém, mas também de compartilhar princípios, costumes e a forma como queremos educar nossos filhos. Além disso, meu círculo social é formado majoritariamente por árabes e muçulmanos, então é natural que eu conviva mais com pessoas que compartilham da minha cultura e da minha fé. Por isso, sim, meu desejo é encontrar alguém com quem eu possa dividir tudo isso, mas sem deixar de reconhecer que a vida pode nos surpreender.
Perguntas e mistérios sobre a vida dela
8- Sim, algumas dessas perguntas são bem comuns, principalmente quando as pessoas estão conhecendo melhor a minha cultura e a minha religião. Mas também tem aquelas perguntas um pouco inconvenientes, que às vezes me fazem pensar: “Gente, de onde vocês tiraram isso?” (risos). No geral, levo numa boa, porque sei que muitas vezes é curiosidade mesmo. Acho que minhas amigas já estão acostumadas com as minhas histórias e sabem que sempre tem alguma situação inusitada para contar!










