Estudos com técnica de dupla poda indicam novas cultivares de uva

uva
Foto: divulgação/prefeitura de Jundiaí

Pesquisas conduzidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) ampliam as possibilidades da viticultura de inverno no Brasil. Estudos com a técnica da dupla poda identificaram novas cultivares de uva com potencial produtivo e enológico, atendendo à demanda crescente do mercado nacional de vinhos.

A técnica da dupla poda permite que a maturação e a colheita das uvas ocorram durante o inverno, período mais favorável à produção de vinhos de qualidade, especialmente nas regiões de clima tropical e subtropical. Com o manejo, o ciclo da planta é ajustado para evitar a colheita no verão, quando o excesso de chuvas pode comprometer a sanidade e a concentração dos frutos.

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Além das variedades tradicionalmente utilizadas, os produtores passam a contar com nove novas cultivares recomendadas para esse sistema de produção. Os estudos foram realizados ao longo de sete anos em um vinhedo experimental no sul de Minas Gerais, com avaliação de cinco safras consecutivas.

“É uma demanda crescente no setor até 2020 cerca de 80% do vinho produzido era de duas variedades somente. Uva syrah para vinho tinto e uva sauvignon blanc para vinho branco. Então, de 2015 até 2022 nós instalamos um experimento com 12 cultivares”, explica o pesquisador da Epamig, Francisco Câmara.

Destaques

Os estudos foram realizados ao longo de 7 anos em um vinhedo experimental no sul de Minas, com avaliação de cinco safras consecutivas. Ao todo, foram analisadas 12 cultivares em uvas tintas e brancas. Todas as brancas demonstraram potencial agronômico e enológico.

Entre as tintas, cinco se destacaram com produtividade, qualidade e adaptação ao cultivo de inverno, ampliando o portfólio disponível aos produtores. Ao todo, foram analisadas 12 cultivares, sendo quatro de uvas brancas e oito de uvas tintas.

Todas as variedades brancas demonstraram potencial agronômico e enológico. Entre elas, destacam-se a Viognier, cultivar francesa com produção média entre 1,5 kg e 2 kg por planta, além das francesas Marsanne e Muscat Petit Grain Blanc, conhecidas pelo perfil aromático e pela adaptação ao cultivo de inverno.

Marselan

O principal destaque foi a variedade francesa Marselan, que apresentou alta produtividade, entre 2 kg e 2,5 kg por planta, além de elevado potencial de açúcar e acidez equilibrada. A cultivar alcançou índices de acidez considerados ideais para vinhos de guarda, inclusive com envelhecimento em barris de carvalho francês.

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que a Marselan apresenta desempenho superior. “Ela consegue chegar a ser uma variedade produtiva com potencial enológico e potencial de guarda com envelhecimento em barriga do carvalho francês, sendo superior até mesmo à própria Syrah, que a Syrah tem esse problema de acúmulo de açúcar e queda de acidez”, destaca Câmara.

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