“Eu sou do Samba” celebra os anônimos que constroem Carnaval RJ

“Eu sou do Samba” celebra os anônimos que constroem o Carnaval CariocaAcervo pessoal

O samba, reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo Iphan, ganha uma nova homenagem literária com o lançamento de Eu sou do Samba, de José Leonídio Pereira.

A obra reúne contos e crônicas que iluminam, de maneira sensível, as histórias daqueles que constroem o espetáculo das Escolas de Samba: mestres-salas, porta-bandeiras, ritmistas, intérpretes, passistas, carnavalescos e compositores, vozes anônimas que dão vida ao carnaval carioca ano após ano.

Com musicalidade e emoção impressas em cada página, o livro retrata o Brasil que canta, dança e resiste. Leonídio lança luz sobre aqueles que, longe dos holofotes, mantêm viva a alma do samba e a tradição que molda a identidade cultural do Rio de Janeiro.

A obra chega ao público em um momento em que o país reafirma a importância das expressões populares. Publicado pela Autografia, o livro funciona como testemunho da força do samba no Rio e no Brasil, ampliando o reconhecimento de quem constrói, com dedicação e pertencimento, a narrativa carnavalesca.

Eu sou do Samba é dedicado à memória de Luís Fernando Vieira, pesquisador e escritor que dedicou sua vida à cultura popular brasileira. A homenagem emociona amigos e colegas. Ivan Proença, que assina a apresentação, lembra:

“Nosso companheiro Luís, que convidei para lecionar na Facha e integrar o Conselho de Carnaval da RioTur que presidi… conhecia como poucos os meandros das Escolas de Samba. Eu sou do Samba é uma merecida homenagem ao inesquecível irmão em brasilidade.”

Proença define a obra como uma viagem pela essência do samba. Para ele, as narrativas mostram que, por mais que o Carnaval evolua e se transforme, sempre haverá improviso criativo, compositor fiel ao ofício, velha guarda guardiã da memória e o sambista do pé, figuras eternas da cultura carioca.

A obra não apenas revisita o esplendor da Marquês de Sapucaí — inaugurada em 1984 como palco oficial dos desfiles — como também revela a intimidade dos bastidores, dos pequenos gestos e das trajetórias que sustentam a economia criativa do Carnaval e movimentam comunidades inteiras.

Entre lembranças profundas, Leonídio revisita encontros simbólicos, como o vivido no Jongo da Serrinha, herança viva do Quilombo de São José, onde ancestralidade e samba se unem. Os personagens representados na obra carregam a geografia afetiva da cidade: Madureira, Serrinha, Cavalcanti, Padre Miguel, Tijuca, Mangueira, territórios que moldaram o ritmo do Rio.

Mais do que descrever o Carnaval, Leonídio mergulha na vida de quem o constrói. O autor se apresenta como parte desse universo, alguém que vive o samba por dentro, com o coração batendo no compasso do surdo. Seu trecho de contracapa resume essa conexão:

“O coração é meu surdo — Tum-Tá, o som da minha vida. A primeira marcação que ouvi foi o coração da minha mãe vibrando como um surdo… Sou o surdo rei da minha escola.”

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