
O excesso de chuva nos próximos dias tende a atrasar a colheita de soja em Mato Grosso, sem sinal de uma janela consistente de tempo seco nos próximos 15 dias, aponta a agrometeorologista da Ampere Consultoria, Amanda Balbino.
“Mesmo após o enfraquecimento da ZCAS [Zona de Convergência do Atlântico Sul], previsto a partir de domingo, dia 25, quando devem ocorrer períodos com maior abertura de sol, a chuva tende a persistir de maneira irregular, com possibilidade de formação de um novo canal de umidade no início de fevereiro. Esse padrão dificulta as operações no campo e aumenta o risco de atrasos na colheita e, por consequência, no plantio do milho safrinha”, ressalta.
Segundo ela, o principal desafio não está apenas no volume acumulado, mas na persistência das chuvas, que mantém o solo encharcado e limitam o uso do maquinário agrícola.
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Amanda ressalta que o mesmo cenário tende a afetar as áreas produtoras de soja do Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia).
A profissional destaca que a atuação de um corredor de umidade nas regiões centrais do Brasil já resultou em volumes expressivos de chuva em áreas de Minas Gerais, Bahia, Goiás, Tocantins e Mato Grosso. Em apenas quatro dias de atuação do sistema, entre 20 e 23 de janeiro, os acumulados ultrapassaram 200 mm no Cerrado Mineiro e superaram 100 mm no oeste da Bahia, em Goiás e no Médio-Norte mato-grossense.
Cultivo de milho prejudicado
O possível atraso na colheita da soja tende a refletir diretamente no plantio do milho de segunda safra. A janela ideal de plantio vai de meados de janeiro até o fim de fevereiro, sendo que qualquer atraso comprime esse período.
“Quando o plantio ocorre fora da janela ideal, o milho pode enfrentar déficit hídrico nas fases mais sensíveis do desenvolvimento, como o pendoamento e o enchimento de grãos”, lembra a agrometeorologista da Ampere.
Esse risco é ampliado pelo cenário climático previsto para os próximos meses, que indica o desenvolvimento de um El Niño e consequente aumento da probabilidade de déficit hídrico no final do ciclo do cereal em áreas do Centro-Oeste.
Historicamente, esse padrão está associado à elevação das temperaturas nessas regiões justamente em um período do ano que já apresenta menor frequência de chuvas.
Atrasos também no Sul
No Sul do país, o atraso na colheita da atual safra tende a ser mais significativo, uma vez que o seu próprio cultivo acabou começando mais tarde. Isso porque houve necessidade de replantio de diversas áreas devido ao excesso de chuvas no início de novembro e, com isso, a oleaginosa ainda ainda não se encontra no estágio adequado para a colheita.
A agrometeorologista destaca que em anos de El Niño, as fases mais sensíveis das culturas de verão no Sul tendem a ocorrer sob maior disponibilidade de chuva, o que favorece o desenvolvimento das lavouras. Por outro lado, o excesso de precipitação pode comprometer as janelas operacionais e dificultar a colheita.
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