O nome de MC Jacaré tem ganhado cada vez mais força dentro do cenário do funk nacional. Em um momento considerado um dos mais importantes de sua trajetória, o artista alcança destaque com duas faixas simultâneas entre as mais ouvidas, consolidando sua presença no mercado.
Mais do que números, o crescimento reflete uma construção consistente ao longo dos anos. Entre estratégia, amadurecimento e vivência dentro da indústria musical, MC Jacaré mostra que o sucesso atual é resultado de um processo que vem sendo desenvolvido com o tempo.
Outro ponto que chama atenção é a relação com o público. Com uma base de fãs cada vez mais diversa e engajada, o artista passou a vivenciar uma conexão diferente com quem acompanha seu trabalho, algo que vai além das plataformas digitais e se fortalece também nos shows.
Recentemente, MC Jacaré também esteve na Europa, onde teve contato direto com outras culturas e percebeu, de perto, a força da música brasileira fora do país. A experiência reforçou ainda mais sua visão sobre o alcance global do funk.
Em entrevista ao Portal IG, MC Jacaré falou sobre o momento atual da carreira, os bastidores do sucesso, a evolução artística e os próximos passos dentro do gênero.
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Você está no melhor momento da carreira, com duas faixas simultâneas no Top 10. Quando você olha para esse cenário, qual parte desse sucesso você sente que é fruto de estratégia e qual parte você acha que só o tempo e a maturidade te permitiram alcançar?
Acredito que a proporção seja 50/50. Quando começamos a trabalhar com música, muitas vezes não sabemos como fazer a divulgação nem como fazer com que a música chegue até as pessoas. Com o tempo, fui construindo networking, ganhando mais maturidade, aprendendo estratégias e aprimorando cada uma delas. Como estou no mercado há bastante tempo e gosto muito de conversar com diferentes pessoas para entender o que dá certo e o que não dá, acredito que seja realmente 50% estratégia e 50% maturidade, porque, sem maturidade, não conseguimos desenvolver a estratégia. É impossível conquistar tudo sozinho.
Seu público cresceu muito e ficou mais diverso. O que você percebe hoje nas pessoas que te acompanham que não existia no começo da carreira? O que mais te surpreende nesse novo tipo de conexão?
O que mais me surpreende é o fato de eles estarem sempre querendo música nova e demonstrarem interesse constante pelo meu projeto. Eu sinto que sou importante para eles e que as minhas músicas também têm importância na vida deles. Por isso, ficam sempre ansiosos para saber se vai haver um próximo lançamento, quando ele vai acontecer, e isso é muito especial. É o que mais me surpreende e também o que mais me deixa grato.
Muita gente fala sobre números, charts e viralização. Mas, artisticamente, qual foi o momento mais transformador da sua carreira, aquele que realmente mudou a forma como você cria ou enxerga a música?
A experiência de realizar shows lotados foi o grande ponto de virada. É sempre muito especial ver uma música entrar nos charts e viralizar, mas, para mim, o momento em que senti que a carreira realmente mudou foi quando vi o público, ao vivo, cantando uma obra que eu fiz enquanto eu estava ali, em cima do palco. Para mim, essa é a maior validação que existe.
Você acabou de voltar da Europa. O que você viu lá, cultural, musical ou até pessoalmente, que te fez pensar: ‘isso aqui eu quero trazer para o meu som ou para a minha trajetória’?
Na Europa, percebi que o público de lá gosta muito de música brasileira. Eu ligava o rádio e ouvia várias músicas do Brasil tocando. Na minha última viagem, notei também que o funk está fazendo bastante sucesso por lá, o que me motivou ainda mais na minha carreira e no meu gênero.
Quando você pensa no Pedro do começo, qual seria o conselho que o Jacaré de agora daria para ele, mas um conselho que ninguém imagina, não aqueles óbvios sobre acreditar ou persistir?
Não assine nada com ninguém agora. Quebre a cabeça sozinho primeiro e não coloque a sua carreira nas mãos de outra pessoa neste momento. Não acredite em promessas loucas; siga fazendo o seu trabalho até chegar a um nível em que você possa negociar com o mercado com mais segurança e força. Então, se eu pudesse voltar no tempo, esse seria o conselho que daria a mim mesmo: não assine com ninguém ainda.
O funk vive ciclos, tendências e mudanças muito rápidas. Qual movimento você enxerga surgindo agora e qual espaço você quer ocupar dentro desse “próximo capítulo” do gênero?
O funk é um gênero dinâmico e extremamente versátil. As tendências mudam o tempo todo, e um funk nunca é igual ao outro. Em uma semana, o funk 150 está em alta; na outra, já é o 130. Depois vem o funk ritmado e, logo em seguida, um funk mais limpo. É um universo que se transforma o tempo inteiro, e eu estou focado em continuar explorando todas essas vertentes do funk.
Quais são os próximos projetos que você quer entregar ainda este ano, seja música, feat ou algo fora do funk?
Este ano, quero entregar muitos projetos dentro do funk. Apesar de eu ser muito eclético e, ao longo desse caminho, poderem surgir outras parcerias, meu foco no momento está no funk, e eu quero extrair o máximo desse universo.










