Família investe em imersão europeia sobre cães de assistência

Família brasileira investe em imersão europeia sobre cães de assistênciaAcervo pessoal

O Brasil possui hoje uma população estimada em mais de 67 milhões de cães e um dos maiores mercados pet do mundo, com projeção de faturamento de R$ 78 bilhões em 2025. Ainda assim, segundo o adestrador Glauco Lima, existe um abismo entre o crescimento econômico do setor e o conhecimento real sobre o potencial dos cães de assistência e alerta médico.

Com o objetivo de aprofundar estudos e acompanhar protocolos internacionais de treinamento, Glauco Lima embarca para uma imersão técnica na Europa ao lado da esposa, a também treinadora Daniela Costa, e do filho Augusto Costa Santiago, de 13 anos. A viagem tem como foco o estudo de técnicas voltadas a cães de utilidade pública.

“Hoje o mercado cresceu muito, mas ainda há uma grande lacuna de entendimento sobre o quanto um cão pode auxiliar uma pessoa com diabetes tipo 1, transtorno de estresse pós-traumático ou mobilidade reduzida. Um cão pode alertar alterações glicêmicas, buscar objetos, acender e apagar luzes, abrir geladeiras, auxiliar nas transições da cadeira de rodas para a cama ou sofá, cães que alerta crises de epilepsia. Isso é independência funcional”, afirma Glauco.

A treinadora Daniela Costa destaca que o papel dos cães de assistência vai muito além da companhia e pode atuar como complemento importante em diferentes abordagens terapêuticas. Para ela, ainda existe espaço para ampliar o diálogo entre profissionais da saúde e especialistas em comportamento animal.

“Profissionais da saúde precisam conhecer o quanto os cães podem somar aos sensores tecnológicos e às equipes multidisciplinares. No espectro do autismo, por exemplo, o cão pode ajudar na regulação emocional, na redução de crises e na segurança física”.

Entre os métodos utilizados no treinamento está a chamada ancoragem comportamental, estratégia aplicada especialmente em crianças entre 4 e 12 anos que apresentam comportamento de fuga, algo relativamente comum em famílias com crianças dentro do espectro autista.

“O cão atua como ponto de estabilidade física e emocional, ampliando a segurança e reduzindo riscos”.

Imersão internacional

A primeira etapa da viagem será em Milão, na Itália, onde a família participará de um congresso dedicado a cães de alerta para epilepsia. Em seguida, o roteiro segue para a Suíça, onde os treinadores irão acompanhar novos protocolos e visitar organizações especializadas no treinamento de cães de assistência.

Durante a viagem, também está previsto um encontro com o brasileiro Felipe Votisch, Diretor de Trade Marketing da Nestlé. A intenção é discutir possíveis iniciativas voltadas à criação de projetos sociais envolvendo a formação profissional e a doação de cães de assistência.

“A ideia é estruturar um modelo sustentável: formar profissionais, gerar certificação e direcionamento ao mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que treinamos cães para doação”, explica Glauco.

12 anos de investimento em formação

Segundo o treinador, a busca por formação internacional faz parte de um processo contínuo. Há cerca de 12 anos ele realiza viagens periódicas para estudar protocolos utilizados em centros especializados fora do país.

Nesse período, o investimento em cursos e especializações já soma cerca de R$ 500 mil.

“Hoje minha cabeça funciona como uma esteira de protocolos e execução. Tenho direcionamento e soluções técnicas para diferentes demandas. O maior desafio é cultural: em países onde essa atividade já faz parte do DNA social, o entendimento é mais rápido. No Brasil ainda estamos construindo essa mentalidade”, fala o especialista.

No treinamento de cães de assistência, um dos momentos considerados mais importantes é o chamado “match”, que representa a conexão entre o animal e a pessoa que será assistida.

“Não é sobre entregar um animal. É sobre formar um par perfeito e isso exige olhar apurado e testes, já que a vida de uma pessoa está em jogo ali”.

Foco em utilidade pública

Apesar da crescente visibilidade do tema, Glauco afirma que prefere manter sua atuação voltada ao impacto social e à qualidade de vida de quem depende desse tipo de apoio.

“Meu conteúdo é de utilidade pública. Não trabalho com espetáculo. Trabalho com autonomia, saúde e inclusão e o foco de uma carreira inteira está voltado a qualidade de vida das pessoas”, revela.

Para ele, a imersão internacional faz parte de um projeto mais amplo de fortalecimento do treinamento de cães de assistência no Brasil.

“Essa imersão europeia de atualização que sempre faço representa mais um passo estratégico para consolidar autoridade técnica, ampliar repertório internacional e estruturar um movimento que reposicione o cão como agente ativo na saúde pública e na inclusão social brasileira. Enxergo isso como uma etapa de um projeto que pretende ir muito além do mercado pet, alcançando impacto social real, que claro, precisa e deve contar com apoio da opinião pública e de nossos políticos, além de empresários”, finaliza Glauco.

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