A integração entre crédito rural, seguro e gestão de riscos esteve no centro do debate promovido pelo Instituto Pensar Agro (IPA) nesta quinta-feira (3), durante a Expointer 2026, em Esteio (RS). Parlamentares, autoridades e representantes dos setores financeiro, securitário e cooperativista defenderam um novo modelo de financiamento e proteção da produção rural.
No encontro “Crédito, seguro e resiliência no campo: construindo os próximos 20 anos”, houve convergência sobre a necessidade de superar o modelo em que crédito e seguro são tratados de forma separada. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion (Republicanos-PR), afirmou que o Congresso Nacional tem avançado na construção de alternativas para modernizar o sistema de proteção da produção rural.
Segundo Lupion, o desafio é estruturar uma modalidade de seguro agrícola compatível com a dimensão da produção brasileira e reduzir a dependência de medidas emergenciais em anos de perdas climáticas generalizadas. Em mensagem exibida no evento, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) defendeu um modelo que proteja o produtor contra eventos climáticos e também contra perda de renda, além da criação de um fundo de catástrofe com participação da União, dos estados e dos produtores.
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No painel sobre crédito, o representante do Banco Central, Cláudio Filgueiras, defendeu a recalibragem das fontes de financiamento do crédito rural e a revisão da proporção dos recursos públicos destinados à equalização de juros e à subvenção do seguro. Ele afirmou que o Brasil aplica entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões por safra na equalização de juros, enquanto cerca de R$ 1 bilhão é destinado ao seguro rural.
Vitor Ozaki, da Picsel, apresentou dados do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O programa alcançou cerca de 214 mil apólices em 2021, com orçamento de R$ 1,2 bilhão, e recuou para aproximadamente 61 mil apólices em 2025, após redução dos recursos. Entre os pontos destacados no PL 2951 estão a execução dos recursos no próprio exercício, a modernização da governança do fundo de amparo e o reconhecimento do seguro como garantia das operações de crédito.
Ao final do encontro, o vice-presidente da Federarroz, Luiz Carlos Machado, entregou ao deputado Alceu Moreira (MDB-RS) uma moção da Câmara Setorial do Arroz solicitando o desbloqueio dos recursos destinados à subvenção do seguro rural.
O debate na Expointer reuniu propostas voltadas à ampliação do seguro rural, à integração com o crédito e ao uso de instrumentos do mercado de capitais como parte de um novo modelo de financiamento da agropecuária brasileira.
Fonte: agencia.fpagropecuaria.org.br
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