Quando se fala em narração esportiva na Televisão Brasileira, o nome de Galvão Bueno é imediatamente associado à voz do esporte da TV Globo. No entanto, o que muitos fãs podem não se lembrar é que a relação entre o principal locutor do país e a emissora carioca já passou por um abalo de proporções gigantescas na década de 1990, quando Galvão arrumou as malas e deixou o canal para se aventurar em um novo projeto televisivo.
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A história, que hoje soa quase improvável diante de uma parceria de mais de quatro décadas com a emissora, serve para lembrar que houve um momento em que o futuro da voz do esporte brasileiro esteve fora do canal da Família Marinho, como adiantou o colunista do iG, James Akel. O cenário se desenhou no final de 1992.
No auge de seu prestígio na Globo, Galvão Bueno recebeu uma proposta que mudaria temporariamente os rumos de sua carreira: se tornar sócio e principal estrela da Rede OM (atual CNT), uma rede de televisão que prometia expansão nacional a partir do Paraná.
Movido pelo desafio de ajudar a construir uma nova rede de TV e com promessas de exclusividade em grandes eventos, como a transmissão da Copa Libertadores da América, Galvão tomou a drástica decisão de romper com a Globo. A aposta, no entanto, se revelou um verdadeiro pesadelo.
A Rede OM enfrentou graves crises financeiras, problemas administrativos e promessas não cumpridas, culminando em episódios emblemáticos de instabilidade, como cheques sem fundo e um cenário de forte pressão sobre o narrador. A passagem de Galvão Bueno pela emissora paranaense durou poucos meses, mas foi suficiente para chocar o mercado publicitário e esportivo da época.
Com o fracasso e a série de problemas, a experiência de Galvão fora da líder de audiência durou pouco. Com o colapso estrutural da Rede OM e sondagens de outras emissoras, como SBT, Bandeirantes e Rede Manchete, Galvão percebeu que seu lugar era na grande vitrine da televisão brasileira, a Globo. Na época, Jô Soares, que havia trocado a Globo pelo SBT anos antes, disse a frase: “Existe vida inteligente fora da Globo”.
O retorno para casa
As conversas para a volta de Galvão à Globo começaram no início de 1993, capitaneadas por negociações diretas com a alta cúpula, incluindo o executivo José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni. Segundo relatos de bastidores, Boni chegou a alertar para ele não sair, mas recebeu o locutor de volta de braços. Em março de 1993, menos de um ano após a saída, Galvão Bueno reassumia seu posto na Globo.















