A popularização da inteligência artificial colocou ferramentas capazes de escrever textos, criar imagens, analisar informações e responder perguntas na rotina de milhões de pessoas. Dentro das empresas, porém, uma nova fase da tecnologia começa a chamar atenção: sistemas que não apenas respondem ao usuário, mas também executam tarefas.
Na prática, isso significa que atividades que hoje ocupam parte do expediente de diferentes profissionais podem ser realizadas ou encaminhadas automaticamente pela tecnologia.
Nos Estados Unidos, sistemas já começam a conectar atendimento, faturamento, documentos, operações e informações financeiras em um mesmo ambiente. A mudança coloca uma pergunta cada vez mais próxima da rotina de quem trabalha: a IA vai substituir profissões ou transformar as tarefas existentes dentro delas?
O brasileiro Adriano Souza, arquiteto de software que desenvolve plataformas para empresas norte-americanas, acompanha essa transformação e acredita que o impacto precisa ser observado principalmente a partir das funções desempenhadas por cada profissional.
IA começa a sair do chat e entrar na operação A diferença está no que acontece depois de uma solicitação.
Em vez de apenas fornecer uma resposta, sistemas podem classificar documentos, organizar contratos, encaminhar processos para aprovação e fazer informações circularem entre diferentes plataformas utilizadas por uma empresa.
“A Inteligência Artificial produz resultados mais consistentes quando participa da operação. Ela deixa de responder apenas a consultas e passa a executar etapas do processo, analisar informações e apoiar decisões de forma integrada aos sistemas da empresa”, explica Adriano.
É justamente essa capacidade que pode provocar mudanças mais perceptíveis no mercado de trabalho.
Uma profissão dificilmente é formada por uma única atividade. Dentro da rotina de um mesmo profissional existem tarefas repetitivas, análises, decisões, comunicação, supervisão e situações que exigem interpretação.
Por isso, a automação de determinadas etapas não significa necessariamente o desaparecimento imediato de uma profissão. Pode significar, primeiro, uma reorganização do que aquela pessoa faz durante o expediente.
O que muda para quem trabalha? Com tarefas repetitivas sendo transferidas para sistemas, outras habilidades podem ocupar uma parcela maior da rotina profissional.
Analisar informações, supervisionar processos, identificar erros, compreender regras específicas de um negócio e tomar decisões são exemplos de atividades que continuam exigindo participação humana mesmo em ambientes mais automatizados.
Antes de colocar um processo nas mãos da tecnologia, por exemplo, alguém precisa compreender como ele funciona, quais regras devem ser respeitadas e em quais situações uma decisão não pode ser tomada automaticamente.
“Hoje, desenvolver um sistema significa construir um ambiente capaz de conectar diferentes tecnologias. A Inteligência Artificial passa a integrar esse ecossistema como mais um componente da operação, trabalhando em conjunto com os demais sistemas da empresa”, afirma Adriano.
A mudança também ajuda a explicar por que a discussão sobre IA e mercado de trabalho começa a ir além da pergunta sobre quais profissões podem desaparecer.
Talvez uma questão mais imediata seja entender quais partes de cada profissão podem mudar primeiro.
Se a primeira fase da popularização da inteligência artificial mostrou ao público o que essas ferramentas conseguem criar, a próxima começa a mostrar o que elas também conseguem executar. Para os profissionais, acompanhar essa transição pode significar entender não apenas como utilizar a IA, mas qual será o papel humano em uma rotina na qual cada vez mais tarefas poderão ser divididas com sistemas.








