Isabela Capeto Se Une À Filha, Chica, em Nova Marca Que Projeta o Futuro da Moda

Paixão pela moda, companheirismo, liberdade, a filosofia “do it yourself” e o apreço pelo Saara carioca se misturam no encontro entre Isabela Capeto, 55 anos, e sua filha, Francisca Capeto, 26, conhecida como Chica. Dessa combinação nasce uma nova empreitada criativa: a marca Capeto, lançada em dezembro de 2025.

Entre tecidos reaproveitados, tinturas experimentais, influências punk e pitadas de neon, a nova marca consolida uma parceria que brota da intimidade entre mãe e filha. Trabalhar lado a lado era um desejo antigo da estilista, que há anos imaginava transformar esse vínculo em negócio. “Trabalhar com a minha filha sempre foi um sonho”, diz Isabela. “A gente já era muito unida, mas estar juntas aqui no trabalho, trocar ideias, pensar e criar lado a lado… É maravilhoso.” 

Para Chica, a moda nunca foi uma escolha isolada. Foi o ar que sempre respirou. Desde pequena, acompanhava os desfiles da mãe e os bastidores do ateliê. Observou, aprendeu e se encantou por aquele universo, seguindo os passos da mãe. Isabela, por sua vez, recorda a própria infância, entre costuras, revistas, filmes e uma rotina doméstica em que tudo passava pelas mãos: roupas de festa, decoração e presentes de aniversário, almofadas e cortinas.

Na casa dos Capetos, o fazer manual sempre foi soberano. Essa herança do artesanal atravessou gerações. “A minha mãe sempre incentivou muito o ‘faça você mesma’. Ela comprava livros tipo ‘faça seu próprio pom – pom, pinte uma pedra’”, recorda Chica. Hoje, ela leva esse mesmo impulso para sua casa, montando mesas, arranjos e jogos americanos. 

A ideia de criar uma marca juntas surgiu de forma quase acidental, quando Chica se viu mencionada em uma matéria sobre “nepobabies da moda” e percebeu que queria se reconectar a esse universo. Ligou para Isabela com a proposta de fazerem algo em conjunto. Ainda não sabiam o que seria – mas sabiam que estavam prontas. A partir desse movimento inicial, o sentimento tomou forma. Com foco na geração Z e em produzir peças jovens, acessíveis, divertidas e vibrantes, nasceu a Capeto. A primeira coleção de roupas, que inaugura a marca, traduz essa mistura em silks, t-shirts tingidas à mão, listras e toques de neon que evocam o verão e o espírito leve da parceria.

O rótulo de nepobaby não incomoda Chica. “Acho que eu sou uma pessoa muito privilegiada por ser filha da minha mãe, muitas portas foram abertas, mas trabalho bastante e corro atrás das minhas coisas.” A presença das duas nas redes sociais, especialmente no TikTok, influenciou diretamente a estética da marca. Os vídeos em que montam looks juntas começaram de maneira despretensiosa: Chica pediu ajuda à mãe para escolher as roupas de uma viagem ao Japão. Os registros verticais captaram uma química espontânea e divertida. O público aplaudiu.

Com marca própria fundada em 2003, Isabela já é referência no universo da moda, mas encontrou na rede social um outro tipo de reconhecimento – mais caloroso e popular. Chica começou a postar alguns momentos com a mãe, invasões em seu closet e até dicas de estilo. Isabela divertiu-se ao perceber que gestos simples, como pintar a base da unha de gel de laranja neon para disfarçar o crescimento, alcançaram milhões de visualizações.

A plataforma aproximou mãe e filha de um público mais jovem e reforçou a vocação pop que sempre destacou Isabela. Recentemente, em um dos passeios das duas pelo Saara carioca, em busca de material e inspiração, Isabela foi reconhecida e tietada por fãs virtuais. Ficou surpresa. “A marca Isabela Capeto sempre teve esse lugar pop, sabe? Então, acho muito legal a gente também estar próximo de várias pessoas.” 

Antes de ser propósito, sustentabilidade foi necessidade. Em um período difícil, ao recomprar sua marca, Isabela ficou sem recursos para adquirir tecidos novos. Passou anos criando apenas com o que já havia no ateliê. A limitação virou método e estratégia. 

A Capeto nasce do mesmo princípio. Excedentes de fábrica, estoques esquecidos e materiais rejeitados por pequenas imperfeições se transformam em matéria-prima. Produzir moda no Brasil, no entanto, continua sendo um desafio. Impostos altos e custos elevados tornam cada etapa mais complexa, sobretudo quando se busca praticar preços acessíveis sem grandes volumes de produção. Ainda assim, o trabalho flui no espírito de leveza e cooperação no ateliê da Gávea, um espaço solar, afetivo e colaborativo, que mãe e filha descrevem quase como uma extensão da casa. 

Mas trabalhar em família, claro, tem seus percalços. No dia a dia, surgem diferenças de temperamento e discordâncias. Isabela encara erros com serenidade, reinventando peças e caminhos. Chica reage com mais intensidade, mas admite que tem aprendido com a calma da mãe a relativizar contratempos. 

Entre os muitos capítulos da carreira de Isabela, poucos foram tão marcantes quanto o momento em que Sarah Jessica Parker apareceu na abertura da série And Just Like That usando um vestido seu. A peça, que fazia parte do acervo pessoal da estilista, havia chegado às mãos da stylist da série, Molly Rogers, durante uma residência artística nos Hamptons. Anos depois, ressurgiu na tela com o mesmo impacto visual que inspirou sua criação. Ver a roupa ali, compreendida e valorizada, confirmou para Isabela uma intuição antiga: suas peças não são apenas roupas. São experiências. A mesma emoção, agora em fevereiro de 2026, se traduz em assinar o look da atriz fashionista para o Baile do Arara, durante sua vinda ao Carnaval carioca.

A Capeto não nasce com calendário rígido nem obrigações industriais. Chica descreve a marca como “múltipla”. Pode-se lançar moda, decoração, tênis, pequenos drops ou coleções isoladas. Não há regras. Apenas a intenção de testar, experimentar e criar sem pressão. 

Essa fluidez espelha a relação das duas. Uma herança compartilhada desde a infância: a alegria de fazer com as próprias mãos e a ousadia de recomeçar e se reinventar.

Tal mãe, tal filha

Mãe e filha se juntam em novo negócio na moda

Isabela te ensina a: Ser criativa.

Chica te ensina a: Ser livre.

Que roupa você roubaria do guarda-roupa da sua mãe? Uma bota da Vivienne Westwood.

Que roupa você roubaria do guarda- roupa da sua filha? O tênis xadrez que ela trouxe do Japão.

Que marca registrada do estilo da sua mãe você pegou para si? O mix de estampas de que eu passei a gostar muito.

Que marca registrada do estilo da sua filha você pegou para si? O oversized.

Com quem vocês trocariam de guarda-roupa?

Isabela: “Eu tô feliz com o meu”.

Chica: “Com a minha mãe ou com a Carrie Bradshaw [personagem interpretada por Sarah Jessica Parker em Sex and the City]”.

Matéria publicada na edição 137 da revista, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store e também no site da Forbes.

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