O Carnaval sempre colocou o corpo como parte central da expressão artística e cultural da festa. Ainda assim, a exposição feminina continua gerando debates e interpretações equivocadas. Para muitas mulheres que ocupam a avenida, a escolha da fantasia e a forma como se apresentam não têm relação com provocação, mas com autonomia, identidade e narrativa. É nesse contexto que Isis Camargo, musa fitness da Acadêmicos do Tucuruvi, se destaca.
A participação da musa é resultado de preparo físico, planejamento e decisão consciente. Sua presença não é improvisada nem guiada por apelo visual gratuito. Isis afirma o próprio lugar na avenida, conduzindo sua imagem com clareza sobre o que representa. Segundo especialistas em cultura carnavalesca, a fantasia no Carnaval funciona como extensão da performance: revela porque faz parte da linguagem da festa e não porque busca aprovação externa.
A distinção entre ser exposta e se expor também ajuda a compreender o papel da musa na avenida. Isis conduz sua própria narrativa estética. Seu corpo não está ali para consumo, mas como demonstração de preparo, dedicação e domínio do próprio espaço, elementos cada vez mais presentes no perfil das mulheres que ocupam funções de destaque no Carnaval.
A reação do público, entretanto, ainda revela tensões antigas. Críticas direcionadas às fantasias femininas dizem mais sobre as expectativas sociais impostas às mulheres do que sobre o desfile em si.
Historicamente, o corpo feminino foi controlado, suavizado ou limitado por padrões externos. No Carnaval, esse controle se dilui, permitindo que a mulher protagonize sua imagem. É nesse ponto que surgem divergências e debates.
Especialistas apontam que empoderamento, nesse contexto, não se define pelo quanto se mostra, mas pela autonomia sobre essa escolha. A postura, a intenção e o entendimento do lugar que ocupam são fatores que orientam a presença das musas na avenida. Em suas aparições, Isis demonstra segurança e consciência, reforçando que a exposição, quando decidida pela própria mulher, é um ato de expressão, não de submissão.
O Carnaval, portanto, não expõe a mulher para reduzi-la. Ele oferece um espaço onde ela pode existir de forma plena e protagonista. O debate, segundo analistas, não está no figurino, mas na persistência do incômodo social diante de mulheres que exibem seus corpos com naturalidade, escolha e confiança.














