Jara Arrais comanda o canal Cultura Latino-Americana

O músico Jara ArraisReprodução – divulgação – arquivo do artista

A latinidade vem ganhando mais espaço, principalmente depois do boom de Bad Bunny, Rosalía e Shakira.

Cada vez mais o público brasileiro tem buscado informações sobre a cultura e a música latinas. Espaços para estar informado não faltam.

Temos no YouTube o Canal Onda Latina, o podcast La Mezcla, que já foi apresentado nesta coluna e hoje vamos destacar o canal Cultura Latino-Americana, também no YouTube.

Esse espaço existe há cinco anos, sendo comandado pelo músico Jara Arrais. Ele atua no Raíces de América e no Mayombe, dois grupos que valorizam a música latina.

Aqui apresentamos uma entrevista exclusiva, na qual Jara Arrais fala sobre sua carreira artística e a proposta cultural do canal.

Latinidade

Quando iniciou seu interesse pela música latina? 

Meu interesse pela música latina despertou cedo, aos 8 anos.

Meu irmão mais velho, influenciado pela militância na OSI (Organização Socialista Internacional), trazia para casa discos de grupos que viviam o exílio.

Na época, eu já era estudante de violão erudito, mas foi ao descobrir a sonoridade e a técnica impecável de Nicolás Brizuela — violonista da saudosa Mercedes Sosa — que tudo mudou.

Naquele instante, ao ouvir o diálogo entre o violão e a voz, tive a certeza absoluta de que aquele seria o meu caminho.

Quais são suas principais influências musicais?

Minhas influências formam um arco que une a tradição à renovação.

Tudo começou na infância, com a força de Mercedes Sosa e a técnica impecável de seu violonista, Nicolás Brizuela.

Logo em seguida, mergulhei no universo dos grupos chilenos Inti-Illimani e Quilapayún.

Além disso, a poesia visceral de Víctor Jara e Violeta Parra foram fundamentais para minha formação política e artística.

Hoje, sigo atento à nova safra da música argentina, buscando inspiração na sofisticação harmônica de Pedro Aznar e na força telúrica de Raly Barrionuevo.

É um aprendizado contínuo entre o mestre e o contemporâneo.

Jara Arrais e Rolando Boldrin no programa Sr.BrasilReprodução – divulgação – arquivo do artista

Raíces

Como foi sua entrada no grupo Raíces de América e o que ele representa para você?

Entrar para o Raíces de América foi, sem dúvida, a maior conquista da minha carreira.

Para um músico que cresceu admirando o grupo, estar ali foi como uma coroação: de repente, eu não era mais apenas um fã, mas um colega de palco dos meus ídolos.

Minha história no grupo começou há 26 anos, por meio de um convite do meu grande amigo Chico Pedro.

Inicialmente, entrei para assumir as cordas — charango, cuatro e violão — e, com o tempo, essa jornada se transformou.

Hoje, além dos instrumentos, tenho a honra de ser um dos cantores do grupo.

O Raíces representa para mim a síntese da minha identidade musical e o privilégio de manter viva uma chama que me inspirou desde a infância.

E a criação do Mayombe?

O Mayombe nasceu sob a efervescência do fenômeno Buena Vista Social Club, um período em que eu estava mergulhado no estudo do Son Tradicional Cubano.

Eu passava horas ouvindo as harmonias de mestres como Benny Moré e a simplicidade sofisticada de Compay Segundo.

A sonoridade de grupos como o Cuarteto Patria foi a faísca que faltava para eu decidir montar o Mayombe.

O objetivo era trazer essa alma caribenha e a riqueza dos ritmos afro-latinos para o nosso contexto, unindo a técnica e a paixão que esses grandes ícones representam.

O canal

Você comanda o canal Cultura Latino-Americana no YouTube. Como está sendo essa experiência?

Comandar o canal Cultura Latino-Americana é um exercício diário de resistência.

Em um cenário digital onde a superficialidade e os conteúdos passageiros dominam a atenção, lutar pelo espaço da arte e da história é um desafio constante.

É, como se diz, ‘matar um leão por dia’. No entanto, essa jornada me motiva a estudar cada vez mais.

Meu objetivo é transformar cada vídeo em uma ferramenta de conscientização, combatendo a desinformação e fortalecendo a ideia de uma América Latina única, potente e, acima de tudo, unida por suas raízes.

Como está sendo o retorno do público?

O retorno tem sido gradativo e caminha no ritmo da própria formação cultural do nosso povo.

Existe um processo de redescoberta; à medida que as pessoas se reconhecem nas histórias e ritmos que apresento, o engajamento cresce.

É um trabalho de paciência, pois o interesse pelo que é nosso — pela nossa identidade latino-americana — muitas vezes precisa ser despertado e cultivado contra a corrente de conteúdos puramente comerciais.

Jara Arrais divide o palco com ShakiraReprodução – divulgação – arquivo do artista

Como você vê o panorama da música latina atualmente?

Vejo o panorama atual com um misto de otimismo e cautela.

Houve um crescimento muito interessante da música latina no cenário global com a popularização do reggaeton e da cumbia eletrônica, o que trouxe novos ouvintes para o idioma espanhol.

No entanto, para quem trabalha com a música de raiz e o folclore, como eu, esse movimento ainda é muito tímido.

Existe um abismo entre o sucesso comercial dessas vertentes eletrônicas e a valorização da riqueza rítmica e histórica que realizamos no dia a dia.

É um passo importante, mas ainda falta muito para que a profundidade da nossa cultura seja plenamente reconhecida.

Não se esqueça

Esta coluna é um espaço destinado à cultura e músicas latinas. Mais informações sobre esses temas você encontra em www.ondalatina.com.br  e no Canal Onda Latina: https://www.youtube.com/@canalondalatina 

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