José Enrique Barreiro leva poesia ao palco em formato stand up

José Enrique Barreiro leva poesia ao palco em formato stand upJade Gadotti

O poeta, editor e pensador da linguagem José Enrique Barreiro vem construindo um caminho próprio dentro da cena literária brasileira ao aproximar a poesia do palco. Em seu trabalho mais recente, o monólogo O rio tem sede de sal, ele transforma a escrita em experiência ao vivo, explorando o formato conhecido como stand-up poetry.

A proposta dialoga com um movimento que surgiu na Califórnia, nos anos 1990 e que no Brasil ganhou força com os slams, batalhas de poesia que se popularizaram entre jovens de grandes centros urbanos. No caso de Barreiro, porém, o caminho segue outra direção: sua obra se afasta do formato competitivo e se aproxima de uma construção teatral, mais próxima da tradição literária.

Em O rio tem sede de sal, o ponto de partida é uma imagem simples e simbólica: os rios sabem, desde a nascente, que seu destino é o mar. A partir dessa metáfora, o poeta conduz o público por uma reflexão sobre a jornada humana, em um percurso que atravessa diferentes épocas e vozes da literatura.

No texto, surgem referências a autores como Dante Alighieri, Cecília Meireles, Federico García Lorca e Carlos Drummond de Andrade, compondo uma narrativa que conecta tradição e contemporaneidade.

A vocação reflexiva de sua obra já havia sido destacada pelo poeta Bruno Tolentino, que, na apresentação do livro O mapa do acaso (1997), definiu Barreiro como “um poeta de primeira linha”, com uma escrita marcada por “uma aventura reflexiva realmente ousada”.

Natural de Salvador, Barreiro iniciou cedo sua trajetória cultural. Aos 16 anos, tornou-se repórter do Jornal da Bahia, dando início a uma carreira que passou pelo jornalismo, crítica de arte, roteiro e direção de televisão nas décadas de 1970 e 1980.

Radicado no Rio de Janeiro desde 1997, fundou a Versal Editores, voltada à publicação de livros e serviços editoriais. Paralelamente, desenvolveu uma produção literária consistente, com títulos como A lã das velhas ovelhas já não serve para a neve de amanhã (2021), Borda infinita (2022) e A dor que deveras sente (2025).

Sua obra também atravessa outras linguagens, com álbuns de poesia falada e publicações voltadas ao público jovem. Desde 2018, o autor se dedica integralmente à literatura.

Com O rio tem sede de sal, Barreiro leva ao palco uma pergunta que atravessa toda a sua produção: se o destino do rio é o mar, qual é o destino da jornada humana?

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