Marcelo de Carvalho é condenado por postagem considerada racista

Marcelo de Carvalho é condenado por postagem considerada racista.Reprodução/Internet

O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP) condenou o apresentador Marcelo de Carvalho, de 65 anos, a pagar R$ 100 mil por danos morais coletivos após ele associar a criminalidade na Europa à migração africana e muçulmana em uma publicação nas redes sociais. A ação partiu da Educafro Brasil, que acusou o ex-dono da Rede TV! de racismo e xenofobia.

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O conteúdo foi publicado pelo apresentador em 14 de julho de 2025. Na postagem, ele relatou um assalto sofrido por um irmão de seu filho mais velho. “O irmão de meu filho mais velho acaba de ser assaltado em Barcelona” começou. Na sequência, o ex-dono da emissora paulistana acrescentou: “Obviamente um sujeito de aparência africana, dos milhões que a Europa deixou entrar, deu uma trombada nele, arrancou o celular e saiu correndo. Ao invés de salvar os muçulmanos africanos, vão acabar com a Europa”.

Na ação, o Educafro alega que, ao atribuir de forma generalizada o aumento da criminalidade à imigração de pessoas africanas, o apresentador havia feito uma manifestação repleta de “racismo, discriminação e xenofobia”. “Trata-se de uma narrativa racista que reproduz estigmas históricos”, afirmou a entidade na ação.

O apresentador se defendeu no processo argumentando que não cometeu ato ilícito e que apenas exerceu o seu direito de liberdade de expressão. Ele disse que estava apenas descrevendo uma situação específica e fez uma descrição literal e objetiva da aparência física do autor do crime. Segundo Carvalho, não houve racismo em sua fala.

“O cerne do post não é a cor da pele ou a raça em si, mas sim a relação de causa e consequência entre a política migratória europeia e o aumento da criminalidade”, alegou o apresentador à Justiça.

De acordo com a decisão do TJSP, Marcelo de Carvalho também deve se retratar pela fala por meio do próprio perfil em que a publicação original foi feita. O empresário ainda pode recorrer da decisão.

Marcelo de Carvalho ainda pode recorrer da decisão. O iG tentou contato com o apresentador mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto para manifestação.

Marcelo de Carvalho é condenado por postagem considerada racistaFoto: Reprodução/Instagram
Marcelo de Carvalho é condenado por postagem considerada racistaFoto: Divulgação/RedeTV!
Marcelo de Carvalho é condenado por postagem considerada racistaFoto: RedeTV!/Divulgação
Marcelo de Carvalho é condenado por postagem considerada racistaFoto: Reprodução/RedeTV!
Marcelo de Carvalho é condenado por postagem considerada racistaFoto: Reprodução/Instagram

Marcelo de Carvalho se manifestou sobre o caso 

Na época da publicação, Marcelo de Carvalho comentou a repercussão do caso e explicou o ocorrido. Por meio do X (antigo Twitter), o empresário afirmou que governos europeus reforçam medidas contra a imigração ilegal. 

“1. Governos de todas as tendências ideológicas reconhecem o problema. É um fato incontestável que, independentemente da orientação política, líderes europeus vêm adotando medidas rigorosas para conter a imigração ilegal. Basta uma rápida pesquisa para verificar que: Emmanuel Macron, presidente da França (progressista); Keir Starmer, primeiro-ministro do Reino Unido (progressista); Donald Tusk, primeiro-ministro da Polônia (centro-direita); Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca (social-democrata); Kyriakos Mitsotakis, primeiro-ministro da Grécia (conservador); Friedrich Merz, líder da oposição na Alemanha (CDU, centro-direita); Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália (direita nacionalista)”, escreveu Carvalho.

“Todos estabeleceram barreiras rígidas, leis mais severas, ou acordos bilaterais para limitar o fluxo migratório ilegal. Isso mostra que a questão ultrapassou fronteiras ideológicas: tornou-se uma prioridade de Estado, não mais uma bandeira partidária”, acrescentou.

Na sequência, Marcelo afirmou que os imigrantes em questão vêm de países específicos: “2. A origem dos migrantes é concentrada e conhecida. A maioria esmagadora dos imigrantes ilegais que chegam à Europa vem de regiões específicas: África Subsaariana: Guiné, Costa do Marfim, Nigéria, Mali, Senegal, Sudão, Eritreia. Norte da África: Marrocos, Tunísia, Argélia e Líbia. Esses fluxos entram principalmente por rotas marítimas, como a do Mediterrâneo Central, com destino à Itália (Lampedusa e Sicília), ou pelas Ilhas Canárias em direção à Espanha. E de lá para o resto da Europa”.

O empresário ainda associou o trabalho de organizações humanitárias ao tráfico humano. “3. ONGs e grupos travestidos de ajuda humanitária contribuem com o caos. Muitas ONGs e instituições autodenominadas humanitárias atuam, na prática, como facilitadoras do tráfico humano. Elas: cobram valores de pessoas desesperadas em troca de promessas de transporte seguro. Coordenam resgates em alto-mar em conluio com traficantes. Incentivam a travessia ilegal e pressionam por entrada automática na Europa. Trata-se de um sistema organizado, muitas vezes financiado internacionalmente, que contribui diretamente para a tragédia humana no Mediterrâneo — e para o colapso de políticas migratórias responsáveis”, afirmou.

Por fim, Marcelo de Carvalho negou ter utilizado de termos racistas em sua postagem. “ão é discriminação. É constatação dos fatos. Portanto, para ser absolutamente claro: Quando se diz que uma pessoa foi assaltada e que, infelizmente, mais uma vez o autor era um migrante africano, isso não é discriminação racial ou étnica. É simplesmente a descrição objetiva de um fato, sustentada por dados, ocorrências policiais e testemunhos. Negar essa realidade por medo do politicamente correto não protege os cidadãos nem os migrantes honestos que tentam se integrar. Ao contrário: silencia as vítimas, impede a ação do Estado, e fortalece o discurso dos radicais”, concluiu.

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