Conhecido pela defesa de grandes veteranos da televisão brasileira, Marcus Montenegro também está de olho em quem pode ocupar espaço nas próximas gerações da dramaturgia. O agente artístico aponta nomes como Diego Martins, Tati Lopes, Isabelle Drummond, Miguel Rômulo, Luísa Perissé e Castorine entre os artistas que considera interessantes para acompanhar.
A lista pode parecer uma mudança de direção para quem associa Marcus à campanha “Quero Veteranos na TV”, criada para chamar atenção para a ausência de atores experientes das produções audiovisuais. Para ele, no entanto, uma discussão não exclui a outra.
“Eu sempre investi na geração nova de talento, a vida inteira. Eu trabalhei com grandes atores jovens que são consagrados hoje em dia”, afirma.
A questão, segundo o agente, não está em escolher entre veteranos e jovens. O que ele defende é justamente que a dramaturgia brasileira volte a colocar diferentes gerações em cena.
“Temos um celeiro grande hoje em dia. O que a gente precisa ter é o equilíbrio de gerações dentro das escalações”, defende.
Quem são os atores para ficar de olho? Entre os nomes citados por Marcus Montenegro estão artistas em momentos bastante diferentes da carreira.
Diego Martins vem construindo espaço tanto na música quanto na televisão. Tati Lopes, por sua vez, consolidou uma trajetória que passou pela internet, pelo humor e pelo audiovisual.
Isabelle Drummond, que começou ainda criança na televisão, é vista pelo agente como uma espécie de “jovem veterana”: apesar da idade, acumula uma extensa experiência diante das câmeras e entra em uma fase que pode abrir espaço para personagens mais maduros.

Situação semelhante aparece na trajetória de Miguel Rômulo, que também cresceu diante do público e atravessou diferentes fases profissionais desde os trabalhos realizados ainda na infância.
Marcus cita ainda Luísa Perissé e Castorine entre os nomes que acompanha.
Outras atrizes que começaram muito jovens também aparecem em sua análise sobre essa transição de gerações, entre elas Mel Maia, Clara Castanho e Marina Ruy Barbosa.
Para o agente, a quantidade de novos nomes disponíveis hoje mostra que não existe falta de talento. O desafio está em transformar oportunidade em carreira duradoura.
Fama, sozinha, não interessa Marcus afirma que costuma frequentar o teatro semanalmente em busca de novos profissionais. E diz que sua avaliação não termina quando encontra alguém que interpreta bem.
Formação, repertório cultural, comportamento e a maneira como o ator enxerga o próprio futuro também entram nessa análise.
“Eu, como um caçador de talento permanente, por isso vou ao teatro semanalmente, sempre analiso, fora o talento e a vocação, o histórico curricular e a maneira com que o ator tem um olhar para a vida e para a ambição dele”, conta.
Existe, porém, um critério que pode fazer com que ele perca o interesse rapidamente: quando percebe que a principal motivação é simplesmente tornar-se famoso.
“Se ele tiver só uma ambição pela fama e pelo sucesso, não me interessa. Todos os atores com quem eu trabalho têm como primeiro plano a paixão pela arte. O sucesso e a questão financeira são consequência da realização dessa paixão pela arte ser bem-sucedida ou não”, afirma.
O agente diz procurar jovens que pensem na profissão para além do próximo personagem ou do alcance nas redes sociais.
“Eu sempre procuro atores jovens que tenham perfil de carreira, preocupados com cultura, educação e legado, para que eles possam envelhecer na carreira de maneira consistente, assim como os grandes veteranos mantiveram a carreira de maneira consistente”, explica.
Ator precisa ser “360 graus” A transformação do mercado audiovisual também mudou, na avaliação de Marcus, aquilo que se espera de quem está começando.
Televisão deixou de ser o único destino capaz de projetar uma carreira. Streaming, cinema, teatro e plataformas digitais passaram a disputar artistas e público, enquanto as próprias redes sociais abriram novas possibilidades de exposição.
Nesse cenário, ele defende o que chama de artista “360 graus”.
“O destaque não pode estar focado somente na televisão ou no audiovisual. O artista tem que ser o 360, como eu menciono, e entender a beleza de ser artista. Ele tem que ser um empreendedor dele mesmo para movimentar a carreira dele em múltiplas plataformas”, afirma.
A ideia não significa abandonar a formação artística para privilegiar números de seguidores. Pelo contrário. Para Marcus, a capacidade de circular por diferentes espaços precisa partir de uma carreira construída sobre talento e vocação.
TV nunca deu tanto espaço aos jovens, diz agente Embora seja conhecido por cobrar mais oportunidades para atores veteranos, Marcus reconhece que o momento atual é particularmente favorável para quem está chegando.
“Acho que a televisão está dando espaço, como nunca, para a revelação de novos atores. Nunca se buscou, a televisão nunca proporcionou tanto espaço para o jovem talento”, avalia.
Ele associa parte dessa transformação também à ampliação dos perfis presentes nas produções brasileiras.
“A diversidade veio para mostrar isso, assim como a reparação histórica para os atores pretos, e também atores trans, não padrões de corpo e outras coisas mais.”
O avanço, porém, traz uma preocupação.
Marcus critica “jovialização excessiva” da televisão Para o agente, abrir espaço para novos rostos não deveria significar diminuir a presença daqueles que acumularam décadas de experiência.
É nesse ponto que sua defesa dos jovens encontra a bandeira que tornou seu nome conhecido nos bastidores da televisão: a valorização dos veteranos.
“Com a jovialização da televisão brasileira, eu gostaria que esse futuro mudasse, que esse futuro tivesse novamente um reequilíbrio de um encontro de gerações na teledramaturgia”, afirma.
Marcus considera que a convivência entre diferentes idades pode beneficiar não apenas os profissionais envolvidos, mas a própria qualidade das produções.
“Eu não sinto um amadurecimento artístico, nem de texto e nem de escalação, em função da jovialização excessiva”, avalia.
Por isso, a televisão que ele imagina para os próximos anos não é dominada pelos veteranos nem pelos jovens. É justamente aquela em que Isabelle Drummond, Diego Martins, Tati Lopes, Miguel Rômulo e outros nomes da nova geração possam dividir espaço com atores que ajudaram a construir a história da dramaturgia brasileira.
O crescimento das produções para streaming pode contribuir para ampliar esse espaço.
“Espero sinceramente que esse futuro seja cada vez mais alterado em função de como foi esse último ano, com o retorno dos veteranos e personagens estratégicos, e com autores e executivos entendendo a necessidade dessa mescla de encontros de gerações.”
Para Marcus Montenegro, portanto, renovar a televisão não significa necessariamente trocar uma geração pela seguinte. Significa conseguir colocar todas elas em cena.










