Quando um aeroporto funciona sem atrasos, poucos passageiros imaginam tudo o que acontece nos bastidores para manter a operação em ordem. Para Mariana Soares, CEO da Auter Airports, o maior desafio das concessões aeroportuárias está longe das pistas de pouso e decolagem.
À frente de uma empresa especializada em inteligência para aeroportos, a executiva defende que o verdadeiro patrimônio de uma concessão não está apenas na infraestrutura, mas na capacidade de interpretar informações e transformar dados em decisões estratégicas.
“O maior risco de uma concessão aeroportuária não está na operação. Está no que a gestão não consegue ver antes que vire problema.”
Segundo Mariana, muitas decisões ainda são tomadas com base em informações fragmentadas, o que pode gerar desperdícios, retrabalho e dificuldades que só aparecem quando o impacto já é inevitável.
Para explicar esse cenário, a executiva faz uma distinção entre dois conceitos que considera fundamentais para o futuro da aviação brasileira: monitorar e enxergar.
“Monitorar captura eventos. Enxergar permite decidir.”
Na avaliação da CEO, registrar informações por meio de câmeras, sensores e sistemas tecnológicos é apenas parte do processo. O verdadeiro diferencial está em reunir esses dados de forma integrada para antecipar riscos, orientar investimentos e aumentar a eficiência das operações.
Com a expansão das concessões de aeroportos regionais, Mariana Soares acredita que a gestão baseada em informação será um dos fatores mais importantes para garantir operações sustentáveis e competitivas ao longo dos próximos anos.
“Dado estruturado desde o início da concessão é um ativo que valoriza com o tempo. Dado que nunca foi estruturado é uma dívida que vai cobrar juros.”
Para a executiva, o futuro da aviação passa menos por novas obras e mais pela capacidade de transformar informações em decisões. Uma mudança de visão que, segundo ela, pode redefinir a forma como aeroportos brasileiros serão administrados nas próximas décadas.







