O pôr do sol em Marte pode apresentar uma tonalidade azulada na região próxima ao Sol, enquanto o céu durante o dia assume tons amarelados, alaranjados ou avermelhados. A diferença em relação à Terra acontece principalmente por causa da poeira fina suspensa na atmosfera marciana, que interage com a luz de maneira diferente das moléculas presentes no ar terrestre, explica a NASA.
O fenômeno foi registrado por diferentes missões da NASA. O rover Spirit fotografou um pôr do sol em Marte em 2005, o Curiosity registrou uma sequência colorida em 2015 e o Perseverance captou seu primeiro pôr do sol usando a câmera Mastcam-Z em 2021. As imagens mostram como a aparência do céu muda conforme a posição do Sol e a quantidade de poeira presente na atmosfera.
A poeira muda a cor do céu marciano
Marte possui uma atmosfera muito mais fina que a da Terra, mas contém partículas de poeira que permanecem suspensas. Essas partículas têm papel importante na maneira como a luz solar se espalha pelo céu.
Segundo a NASA, a poeira marciana faz com que a luz azul fique mais concentrada na região próxima ao Sol. Já as cores de comprimento de onda maior, como amarelo e vermelho, são espalhadas de maneira mais ampla pelo céu.
É por isso que a região ao redor do Sol pode adquirir uma tonalidade azulada durante o nascer ou o pôr do sol. Mais distante do Sol, os tons amarelos e vermelhos ficam mais espalhados, contribuindo para a aparência característica do céu marciano durante o dia.
A intensidade das cores, porém, não é sempre igual. A quantidade de poeira suspensa na atmosfera varia e pode alterar a aparência do céu. No caso do Perseverance, a NASA destacou que o pôr do sol registrado em 2021 apresentou um efeito azulado menos intenso porque havia menos poeira na atmosfera naquele momento.
Por que a Terra tem um céu azul?
Na Terra, o principal mecanismo responsável pelo céu azul é o espalhamento Rayleigh. O fenômeno ocorre quando a luz solar interage com moléculas muito menores que o comprimento de onda da luz, principalmente nitrogênio e oxigênio.
As cores de comprimento de onda menor são espalhadas com mais intensidade do que as cores de comprimento de onda maior. A luz azul, portanto, acaba chegando aos nossos olhos de várias direções, mesmo quando não estamos olhando diretamente para o Sol. É isso que dá ao céu terrestre sua aparência azul durante o dia.
No pôr do sol terrestre, a luz solar percorre uma distância maior dentro da atmosfera antes de chegar ao observador. Nesse caminho, boa parte da luz azul é espalhada para outras direções, enquanto os tons vermelhos e amarelos ficam mais presentes na região do horizonte.
Em Marte, a situação é diferente porque as partículas de poeira desempenham um papel muito mais importante na aparência do céu. Elas não produzem simplesmente uma versão mais intensa do espalhamento Rayleigh terrestre. O tamanho e as propriedades dessas partículas fazem com que a luz seja espalhada de outra maneira.

Rovers transformaram o fenômeno em imagem
O Spirit registrou um pôr do sol em 19 de maio de 2005, na cratera Gusev. A câmera panorâmica captou o Sol desaparecendo atrás do horizonte, com uma região azulada próxima à posição solar. A NASA explica que observações desse tipo também ajudam os cientistas a estudar a distribuição da poeira na atmosfera marciana.
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Em 15 de abril de 2015, foi a vez do Curiosity registrar seu primeiro pôr do sol colorido. A sequência, produzida pela câmera Mastcam, durou 6 minutos e 51 segundos. A NASA explica que a luz azul fica concentrada próximo ao Sol porque a poeira espalha essa parte do espectro de maneira diferente das cores de comprimento de onda maior.
O Perseverance acrescentou outro registro em 9 de novembro de 2021, usando a Mastcam-Z. Nesse caso, a menor quantidade de poeira presente na atmosfera produziu um efeito azulado mais discreto.
Assim, o céu marciano não é simplesmente o “contrário” do terrestre. A cor observada depende da interação entre a luz do Sol, a atmosfera e as partículas suspensas nela. Na Terra, o espalhamento Rayleigh produz o conhecido céu azul. Em Marte, a poeira cria tons mais avermelhados durante o dia e pode produzir uma região azulada próxima ao Sol no crepúsculo.
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