As novelas mudaram, o público também. Entre redes sociais, novas formas de consumir conteúdo e diferentes gerações diante da tela, a teledramaturgia brasileira enfrenta o desafio de continuar conversando com uma audiência cada vez mais fragmentada.
É sobre essas transformações que Mauro Alencar, consultor, mestre e doutor especialista em teledramaturgia brasileira e latino-americana, fala no podcast “Ser Artista”, apresentado por Marcus Montenegro.
Durante a conversa, Mauro revisita ainda o período da censura na televisão e compara aquele momento com a atual dinâmica das redes sociais.
“A geração de hoje está vivendo um outro momento. Hoje em dia é todo mundo se xingando, se cancelando. Nós falávamos o que a gente gostava e ninguém te cancelava e muito menos te xingar na internet. As pessoas tinham um respeito, porque nós tínhamos um inimigo chamado o censor.”
De Gloria Perez a Walcyr Carrasco Ao percorrer a história das novelas, Mauro também define características de alguns dos autores que ajudaram a construir a teledramaturgia nacional.
Para ele, Gloria Perez “é um mundo na telenovela”, enquanto Walcyr Carrasco representa “a excelência do melodrama”. Manoel Carlos seria “a crônica da telenovela”; Aguinaldo Silva, o “realismo nordestino, apimentado com grande sensualidade”; Silvio de Abreu, “o suprassumo da comédia”; e Rosane Svartman, “o cotidiano na televisão”.
A presença dos veteranos nas produções atuais também entrou na conversa. Para Mauro, entender quem está diante da televisão continua sendo fundamental para uma novela conseguir criar identificação.
“É preciso ter uma estratégia, conhecer o público e fazer a novela que entra na casa de cada um.”
‘A arte traduz a vida’ Especialista também em psicologia da mídia, Mauro defende que a teledramaturgia precisa representar diferentes gerações e perfis da sociedade.
“A novela, a arte traduz a vida. Não tem como escrever só para pessoas jovens e hoje ainda precisamos avançar com relação a isso.”
O episódio também antecipa parte das discussões de um livro preparado por Mauro e Marcus em celebração aos 76 anos da televisão brasileira.
Entre memória e transformação, o especialista acredita que o futuro das novelas passa justamente pela capacidade de compreender as mudanças sem perder a conexão com quem acompanha essas histórias.





