Médico brasileiro revela por que os mais velhos não comem

Idosos se alimentandoReprodução/ Internet

Ainda existe o médico que, quando está na frente de alguém, em vez de apenas receitar alguma coisa, olha para a pessoa e procura entender como é a vida dela.

Daniel Magnoni, médico, cardiologista e nutrólogo, realiza uma noite de autógrafos hoje, às 19 horas, na Livraria da Travessa, no Shopping Center Iguatemi.

O livro Por que Nossos Avós Não Comem conta a situação de uma família que tem avós.

Daniel conta que o carinho, o cuidado e o aprendizado são importantes nesses momentos da vida das pessoas.

Há vários motivos fisiológicos e comportamentais:

Diminuição do apetite: com o envelhecimento, ocorre a chamada “anorexia do envelhecimento”, caracterizada pela menor sensação de fome.

Redução do olfato e do paladar: os alimentos podem parecer menos saborosos, diminuindo o interesse em comer.

Mastigação e deglutição: perda de dentes, próteses mal adaptadas e alterações na deglutição dificultam a alimentação.

Esvaziamento gástrico mais lento: o estômago permanece cheio por mais tempo, aumentando a saciedade.

Uso de medicamentos: muitos remédios alteram o paladar, causam náuseas ou reduzem o apetite.

Doenças crônicas: insuficiência cardíaca, DPOC, câncer, depressão e demências podem diminuir a ingestão alimentar.

Menor gasto energético: como o corpo necessita de menos calorias, a fome tende a ser menor.

Dessa forma, precisamos utilizar as modernas ferramentas em suplementos e cuidados clínicos.

Por que nossos avós não comem ultraprocessados?

Há uma combinação de fatores históricos, culturais e biológicos que explica isso. Em geral, nossos avós cresceram em um ambiente alimentar muito diferente do atual.

Não havia tantos ultraprocessados disponíveis. Muitos desses alimentos, como refrigerantes, salgadinhos, biscoitos recheados, refeições prontas e fast food, eram muito menos comuns ou mais caros.

A alimentação de alguns anos atrás era baseada em arroz, feijão, legumes, frutas, carnes, ovos e preparações caseiras.

Havia um repertório alimentar mais restrito. Muitos alimentos hoje considerados “comuns”, como bebidas energéticas, sobremesas industrializadas, snacks proteicos e diversos produtos embalados, simplesmente não existiam.

Os hábitos alimentares eram transmitidos pela família. Receitas e costumes passavam de geração em geração, favorecendo alimentos frescos e preparações tradicionais. Havia menos influência da publicidade sobre as escolhas alimentares.

Os ultraprocessados não faziam parte da cultura alimentar. Muitas pessoas mais velhas ainda veem esses produtos como “guloseimas” ou alimentos para ocasiões específicas, e não como itens do dia a dia.

Vale a leitura para você entender a vida das pessoas.

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