Mesmo sendo um fenômeno comum em voos, passar por turbulência pode ser bastante desagradável. Além do susto, ela pode causar mal-estar, tontura e enjoo em alguns viajantes.
Em dezembro, por exemplo, passageiros precisaram de atendimento médico depois de enfrentar turbulência em um voo que saiu de Curitiba com destino a São Paulo, mas acabou precisando desviar para Campinas por causa de uma ventania. Veja no vídeo abaixo.
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Além disso, pesquisas indicam que a turbulência tem se tornado mais frequente e deve se intensificar com o avanço do aquecimento global.
Um estudo da Universidade de Reading, no Reino Unido, apontou um aumento de 55% nos registros de turbulência severa em céu claro (CAT, na sigla em inglês) entre 1979 e 2020, associado às mudanças climáticas.
Esse tipo de fenômeno ocorre em massas de ar altamente instáveis e não pode ser detectado por satélites, radares ou a olho nu, o que aumenta o risco para as aeronaves.
A projeção é que, até 2050, pilotos enfrentem pelo menos o dobro de episódios de turbulência severa em céu claro, segundo estudo citado pelo Fórum Econômico Mundial.
Mas sabia que tem lugares no avião onde é possível sentir menos os efeitos da turbulência? Confira.
???Onde a turbulência é menos sentida
Passageiros em um avião
Unsplash/Suhyeon Choi
Os assentos localizados perto das asas costumam balançar menos, explica Jaqueline Mendes Queiroz, coordenadora do curso de Engenharia Aeronáutica da PUC Minas.
Isso acontece porque as asas ficam próximas ao centro de massa da aeronave — ponto em que o peso do avião é distribuído de forma equilibrada e onde o movimento é menor.
“É como uma gangorra: o ponto central quase não se movimenta, enquanto as extremidades se deslocam mais. Quanto mais perto do centro de massa, menor é a amplitude dos movimentos”, explica a especialista.
Ao g1, Fernando Catalano, professor de engenharia aeronáutica da USP de São Carlos, e o escritor e consultor internacional de aviação Gianfranco “Panda” Beting também defenderam a mesma avaliação.
????Mas e entre quem está sentado na frente e atrás das asas?
Nesse caso, os passageiros sentados atrás das asas tendem a sentir mais os solavancos da turbulência do que aqueles que ficam à frente. É que o ar fica mais turbulento depois de passar por obstáculos, no caso, as asas.
Pela mesma lógica — mas em maior proporção —, as rotas de voo mais turbulentas do mundo geralmente ficam próximas a regiões montanhosas, como o Himalaia e os Andes.
Ainda assim, de forma geral, a diferença na sensação de turbulência de acordo com o assento costuma ser sutil, segundo a professora.
“Como o avião é uma estrutura rígida e relativamente curta em relação às correntes de ar que enfrenta, a variação na intensidade do balanço ao longo da cabine não é tão grande”, afirma.
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???Tamanho do avião também faz diferença
O tamanho da aeronave também influencia na forma como a turbulência é sentida. Aviões maiores, como os usados em voos comerciais, têm mais massa, o que faz com que respondam de maneira mais lenta às variações do ar.
Na prática, é o mesmo princípio observado no dia a dia: objetos maiores e mais pesados costumam ser menos chacoalhados do que os menores quando submetidos à mesma força.
???Turbulência não derruba avião, mas exige atenção
Apesar do desconforto, a turbulência sozinha não é capaz de derrubar um avião, segundo a especialista.
Ela explica que as aeronaves comerciais são projetadas para suportar condições severas e que, para que ocorra um acidente grave, é necessária uma sequência extremamente improvável de falhas.
Na verdade, o principal risco associado à turbulência está dentro da cabine, segundo Fernando Catalano, professor de engenharia aeronáutica da USP de São Carlos.
“Durante a turbulência, passageiros e objetos podem se deslocar dentro da aeronave, o que pode causar acidentes. Por isso, especialmente diante do aquecimento global e do aumento na frequência desses episódios, o mais importante é permanecer com o cinto de segurança afivelado durante todo o voo”, orienta.
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