Rubén Rada, um dos maiores músicos latino-americanos da atualidade, morreu na última quarta-feira, dia 26 de agosto, na sua querida Montevidéu.
“El Negro Rada“, como também era conhecido, foi um dos responsáveis por modernizar o candombe, ritmo afro-uruguaio, dando-lhe nova roupagem ao introduzir elementos do rock e do jazz.
Candombe
O ritmo surgiu no Uruguai no século XVIII, criado pelas populações escravizadas da África que desembarcaram na região do Rio da Prata.
Com o passar do tempo, o candombe se transformou em uma das manifestações culturais mais potentes da América Latina.
É um dos sons de Montevidéu, concentrando-se principalmente nos bairros Sur e Palermo, muito presentes no Carnaval.
Sua força percussiva está na utilização de três tipos de tambores: o piano, o chico e o repique, sendo que cada um tem uma afinação específica.
A sonoridade do conjunto dos três tambores cria uma música que encanta imediatamente quem ouve.
Rada
Omar Rubén Rada Silva nasceu no dia 16 de julho de 1943, em Montevidéu, no Uruguai.
Na juventude, sonhou em ser jogador de futebol, mas teve que desistir quando seus exames médicos detectaram manchas pulmonares.
Depois dessa decepção, investiu tudo na música tornando-se o maior mestre do candombe.
Rada gostava muito do Brasil e tinha uma relação afetiva com nosso país, pois sua mãe era brasileira.
Em 2011, ganhou o prêmio Grammy de Excelência Musical por sua trajetória artística.

Álbuns
A produção musical de Rubén Rada foi considerável, com mais de 40 discos solos e participação em trabalhos de outros músicos.
Aqui destacamos três álbuns que dão um bom panorama da criatividade do artista.
La Yapla Mata (1985): é um dos melhores álbuns do artista, traz faixas marcantes como “Flecha Verde”, “El Levante”, “Las Manzanas” e “Madre Salsa”. O ponto alto do disco é a já clássica “Tengo un candombe para Gardel“.
Nessa música, Rada homenageia o tangueiro Carlos Gardel. A letra relembra cenas de um passado cinzento, mas que passa a ser iluminado pelo sorriso e pela voz de Gardel.
Pa’los Uruguayos (1989): o título brinca com a expressão “para los uruguayos” e com os “palos“, as baquetas usadas para tocar os tambores do candombe.
Destaque para a faixa “Qui Beleza”, cantada em português, “Candombe para Bob Marley“, uma homenagem ao astro do reggae jamaicano e a bem-humorada “Plácido Rada”, na qual o cantor satiriza o tom operístico de Plácido Domingo.
Candombe con la Ayudita de Mis Amigos (2022): um dos seus últimos álbuns. As músicas desse disco são releituras de grandes composições latino-americanas em ritmo de candombe.
Entre os vários amigos que deram uma “ajudinha” para Rada, temos Fito Páez, na faixa “11 y 6” e Pablo Milanés com “El breve espacio en que no estás”.
Entrevista
Anos atrás, quando produzíamos e apresentávamos o Radio Hispanidad, programa de música latina que ia ao ar pela Brasil 2000 FM, fizemos uma entrevista com Rada.
Guardo desse breve contato a boa lembrança de um sujeito simpático, afetuoso e com muito carisma, além de um músico excepcional.
O papo fluiu solto, agradável e, ao final, deixou em quem escutava um gosto de quero mais.
Negro Rada, vas a hacer mucha falta.
Fica aqui nossa pequena homenagem.
Não se esqueça
Esta coluna é um espaço destinado à cultura e músicas latinas. Mais informações sobre esses temas você encontra em www.ondalatina.com.br e no Canal Onda Latina: https://www.youtube.com/@canalondalatina
Assista o videoclipe de 11 y 6 com Rubén Rada e Fito Páez:









