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Os códigos de vestimenta nas empresas mudaram. Depois da experiência de trabalho remoto, a volta aos escritórios ganhou uma certa ênfase no conforto e na informalidade. “Essa flexibilização representa liberdade, mas, como toda liberdade, exige mais critério diante de um repertório maior de escolhas”, diz a escritora e consultora de moda Gloria Kalil.
Este é um dos maiores desafios da moda executiva atual. Durante décadas, vestir-se para o escritório significava aderir a uma espécie de uniforme. A estética mais fluida de hoje muda completamente o jogo. Se antes bastava seguir regras, agora é preciso interpretar contextos.
Essa leitura envolve compreendera cultura da empresa, o perfil do setor e até a dinâmica de cada reunião. Em ambientes onde a hierarquia se tornou menos visível, a roupa passa a funcionar como uma ferramenta estratégica de posicionamento. “Não se trata apenas de parecer profissional, mas de comunicar clareza, intenção e pertencimento.”
Como sempre, a roupa se insere em uma linguagem silenciosa de poder. Os códigos desta linguagem, contudo, ganharam mais nuances. Se antes o respeito e a influência eram insinuados pela previsibilidade de ternos estruturados e códigos quase imutáveis, hoje eles se manifestam em escolhas mais sutis e, paradoxalmente, mais exigentes.
Embora a informalidade tenha ampliado seu espaço no mundo profissional, a autoridade continua visível. “O poder se faz ver sobretudo pela qualidade da roupa e dos acessórios”, afirma Gloria. “Não pela via da ostentação, que também tem seu papel nesse teatro, mas pela qualidade das roupas, dos relógios, dos sapatos.” O luxo contemporâneo no trabalho não grita; ele se deixa perceber nos detalhes.
Conforto como novo aliado da elegância
O avanço do conforto após a pandemia redesenhou as prioridades do guarda-roupa corporativo, mas Gloria faz um alerta importante contra simplificações. “Conforto nunca foi sinônimo de descuido. Está cheio de homens de terno e gravata terrivelmente malvestidos e descuidados, e homens de roupas esportivas elegantes, cheirosos e bem cuidados.”
Já não basta mais seguir o manual de como se trajar, porque a elegância deixou de estar associada a peças formais e passou a depender da combinação entre caimento, tecidos, manutenção e coerência estética. “Mais do que nunca, vestir-se bem para o trabalho é um exercício de atenção”, ensina a consultora.
Os códigos que permanecem
Em um cenário no qual as fronteiras entre vida pessoal e profissional se tornam cada vez mais difusas, alguns princípios resistem justamente por transmitir credibilidade imediata.
“O que permanece atual é o conhecimento e o bom uso dos dress codes. É saber lê-los e responder adequadamente, embora com personalidade. Também é essencial ter domínio dos códigos da bolha em que você atua, manter um mínimo de informação de moda para se atualizar e tentar escolher sempre usando como requisito número 1 a qualidade.”
A palavra-chave aqui é repertório. Não basta ter boas peças; é preciso saber quando e como usá-las. “Se a moda executiva do passado era normativa, a de 2026 é interpretativa”, provoca Gloria.
Elegância como capital simbólico
No ambiente corporativo contemporâneo, em que liderança se constrói tanto pela competência quanto pela percepção, a imagem se mantém um ativo poderoso, ainda que menos óbvio.
Vestir-se bem não é mais um ato de demonstrar status, e sim de sinalizar consistência. A escolha de um tecido nobre, um sapato impecável ou uma camisa bem cortada comunica disciplina, atenção e respeito pelo outro. “Em tempos de excesso visual, a verdadeira sofisticação talvez esteja justamente na edição”, resume.
4 pontos para ser elegante, segundo Gloria Kalil
1# Conheça seu entorno profissional: entenda a cultura da empresa e saiba se situar nela. Elegância também é adequação.
2# Evite extremos: “Não seja muito fashion, pode parecer superficial; nem muito convencional, pode parecer desatualizado.”
3# Aposte nas cores seguras: “Entre uma camisa bege e uma branca, escolha sempre a branca. Na dúvida sobre cor, escolha sempre o azul. Não tem erro, seja para camisa, terno, listras, gravata, camiseta ou polo.”
4# Priorize qualidade, sempre: Entre comprar duas peças de menor qualidade e uma só, de melhor padrão, não hesite.
*Reportagem publicada na edição 138 da Forbes Brasil, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store.
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