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Entre cavaletes de cristal e exposições grandiosas como as de Claude Monet e Tarsila do Amaral, nem sempre é óbvio associar o Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand à moda. Mas a relação do MASP com o universo fashion existe, vai muito bem, obrigada, e acaba de ganhar uma novidade: “Trilha Práticas em Moda”, uma iniciativa inédita da Escola MASP que acontece até novembro e convida o público a estudar de perto as preciosidades de seu acervo.
A conexão do museu com a moda, porém, está longe de ser uma tendência recente. Ela começou, na verdade, praticamente junto com a própria história da instituição, impulsionada muito em parte pelo vasto interesse do casal-ícone do museu, o diretor-fundador, Pietro Maria Bardi, e a arquiteta Lina Bo Bardi, na cultura material e no design.
“Encontramos documentos, fotografias, convites de desfiles e reportagens que mostram como a moda e a educação artística estiveram presentes no projeto do museu desde seus primeiros anos”, contam Carolina Casarin e Hanayrá Negreiros, idealizadoras e professoras dos cursos do museu.
Entre os marcos históricos dessa época, o casal Bardi idealizou o primeiro Desfile de Moda Brasileira, e um emblemático desfile da Dior foi realizado no próprio MASP, em 1951, para apresentar à alta sociedade paulista as novidades da maison francesa – com só cinco anos de vida na época. Na ocasião foi desfilado o Costume do Ano 2045, um traje idealizado por Christian Dior em parceria com Salvador Dalí (mais tarde doado ao acervo da instituição paulista).
Agora, em resposta ao grande interesse do público, a nova programação da Escola MASP utiliza o contato direto com essas peças de vestuário guardadas pela instituição para propor uma compreensão ampliada do ato de vestir. “O mais interessante, para nós, é justamente perceber como essas coleções permitem contar diferentes histórias da moda brasileira e também pensar a própria história do museu a partir das roupas”, afirma Casarin.
Os tesouros do acervo fashion do MASP

É justamente essa coleção têxtil que abriga itens inestimáveis. A seguir, Casarin e Negreiros listam cinco preciosidades que ilustram a diversidade de acervo de moda do MASP:
- O Costume do Ano 2045, um traje em jérsei de seda cinza azulado com uma muleta vermelha, criado por Salvador Dalí entre 1949 e 1950, com rumores de ter sido feito em parceria com Christian Dior.
- Peças da icônica Coleção MASP Rhodia, como o vestido cocriado pela dupla Dener Pamplona de Abreu e Manabu Mabe, e outro feito por José Ronaldo em colaboração com Heitor dos Prazeres.
- Um vestido de veludo preto e cetim rosa que pertenceu à apresentadora Hebe Camargo, parte da Coleção Kitsch, considerado uma peça essencial para pensar as relações entre moda, cultura popular e celebridades.
- Obras da Coleção MASP Renner, desenvolvidas a partir de três temporadas de colaborações inéditas entre artistas e estilistas brasileiros contemporâneos, realizadas entre 2017 e 2022.
- As criações recentes do estilista Luiz Cláudio Silva, da marca Apartamento 03, em colaboração com a artista Criola, que exemplificam o forte diálogo contemporâneo entre os dois campos criativos.
Como estudar as peças de perto
Para quem quer mergulhar no tema, a “Trilha Práticas em Moda” foi dividida em quatro cursos mensais (três presenciais no 8º andar do Edifício Pietro Maria Bardi e um online). As ementas abordam desde os processos criativos decoloniais e a relação têxtil com mulheres artistas na América Latina, até a rica história das exposições do museu.
Para os próximos meses, são dois os cursos ainda disponíveis: Mulheres artistas e modos de vestir (em outubro) e Histórias da moda na América Latina (em novembro)
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