Dar conta da família, do trabalho, da casa, dos compromissos e ainda encontrar disposição para cuidar de quem está ao redor.
Para muitas mulheres, a rotina vem acompanhada de uma cobrança constante para conseguir conciliar diferentes responsabilidades sem demonstrar cansaço.
Quando alguma coisa não sai como planejado, não é raro que apareça também o sentimento de culpa.
Para Erica Rios, essa ideia de que a mulher precisa conseguir administrar tudo sozinha merece ser questionada.
Esposa do Bispo Bruno Leonardo, ela acompanha de perto uma rotina marcada pela família, pela fé e também pela participação em ações de doação e ajuda ao próximo.
A partir dessas experiências, defende que reconhecer os próprios limites não diminui a força de uma mulher.
A sobrecarga pode surgir justamente quando cuidar dos outros passa a ocupar todo o espaço disponível.
Filhos, marido, familiares, trabalho e diferentes responsabilidades entram na lista de prioridades, enquanto necessidades pessoais são constantemente adiadas.
Descansar, reservar um tempo para si ou simplesmente admitir que não consegue resolver determinada situação pode acabar sendo interpretado como egoísmo ou incapacidade.
Cuidar de si também precisa fazer parte da rotina
Para Erica, o cuidado não deveria funcionar apenas em uma direção.
Mulheres acostumadas a acolher quem está ao redor também precisam reconhecer quando são elas que necessitam de apoio.
Isso não significa abandonar responsabilidades ou deixar de cuidar das pessoas que ama.
A mudança está em compreender que existe uma diferença entre ser responsável e acreditar que tudo depende exclusivamente de você.
A fé ocupa um papel importante nessa percepção.
Na visão de Erica, confiar em Deus também envolve reconhecer que nem todas as situações estão sob nosso controle.
Há momentos em que é necessário fazer aquilo que está ao alcance, mas também entender os próprios limites e não transformar dificuldades inevitáveis em uma cobrança pessoal.
Essa reflexão ganha importância principalmente em uma época em que as mulheres são constantemente apresentadas a modelos de vidas aparentemente perfeitas.
Nas redes sociais, é possível encontrar mães com rotinas organizadas, profissionais bem-sucedidas, casas impecáveis, relacionamentos felizes e tempo para cuidar da aparência.
Quando esses recortes são utilizados como parâmetro para a própria vida, a comparação pode aumentar a sensação de não estar fazendo o suficiente.
Pedir ajuda não significa ser menos forte
Outro ponto importante é a dificuldade que algumas mulheres encontram para pedir ajuda.
Quando alguém passa muito tempo ocupando o lugar de quem resolve os problemas da família, admitir que também precisa ser acolhida pode se tornar difícil.
Rede de apoio, divisão de responsabilidades e diálogo dentro de casa podem contribuir para que o peso cotidiano não fique concentrado em uma única pessoa.
Da mesma forma, reconhecer momentos de esgotamento e permitir-se descansar são atitudes que não deveriam ser acompanhadas de culpa.
A própria convivência de Erica com iniciativas de solidariedade reforça essa percepção sobre a importância do apoio.
Ao lado do Bispo Bruno Leonardo, ela participa de ações de doação e iniciativas voltadas a pessoas que precisam de ajuda.
A experiência mostra, sob outra perspectiva, que todo mundo pode atravessar períodos em que necessita ser cuidado.
Ajudar o próximo, portanto, também passa por compreender que ninguém precisa estar permanentemente na posição de quem oferece suporte.
Em determinados momentos, aceitar o cuidado de outra pessoa pode ser igualmente necessário.
Fé também pode ser espaço de acolhimento
Para mulheres que encontram na espiritualidade uma fonte de força, a fé pode funcionar como um espaço para dividir preocupações que muitas vezes permanecem escondidas na rotina.
Em vez da obrigação de parecer forte o tempo inteiro, existe a possibilidade de reconhecer medos, inseguranças, frustrações e cansaço.
Erica Rios acredita que a mulher não precisa provar sua força pela quantidade de problemas que consegue suportar silenciosamente.
Cuidar da família e estar presente para quem se ama são partes importantes da vida, mas isso não deveria significar desaparecer das próprias prioridades.
Encontrar equilíbrio nem sempre será possível todos os dias.
Algumas fases exigem mais da família, outras do trabalho e existem aquelas em que a própria mulher precisará receber maior atenção.
Entender essas mudanças pode ajudar a diminuir uma cobrança que, muitas vezes, nasce da expectativa de conseguir desempenhar todos os papéis perfeitamente e ao mesmo tempo.
Talvez a pergunta não seja como uma mulher consegue dar conta de tudo, mas por que ela deveria acreditar que precisa.
Reconhecer limites, dividir responsabilidades, cuidar de si e permitir-se receber apoio também são formas de força e podem tornar a rotina mais leve para ela e para aqueles que estão ao seu redor.









