Cristian Carvalho
O Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab), localizado em Salvador, abre no dia 13 de março, às 19h, a exposição “Inclassificáveis”, primeira mostra pública do acervo Con/Vida após a maior repatriação de obras de arte já realizada no Brasil.
A exposição reúne 69 trabalhos, entre pinturas e escultura, de um conjunto com mais de 660 peças que estavam há décadas nos Estados Unidos.
As obras integravam o Instituto Con/Vida, em Detroit, e foram reunidas ao longo de mais de 30 anos pelas colecionadoras norte-americanas Bárbara Cervenka e Marion Jackson, que formalizaram a doação ao museu baiano. O acervo contempla artistas da Bahia, do Ceará e de Pernambuco.
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A curadoria é assinada por Jamile Coelho e Jil Soares. Segundo Jamile, que também é diretora artística do Muncab, a proposta foi apresentar as obras sem reforçar categorias historicamente atribuídas à produção artística negra.
“Esta exposição é mais que uma mostra de obras, é um gesto contra a tradição classificatória que tentou enclausurar a arte negra em categorias simplistas e racistas. O que trouxemos ao Muncab desafia essas fronteiras, aproximando o público da diversidade estética, histórica e política que sempre existiu na produção artística afro-brasileira”, afirmou.
Salvador recebe repatriação de mais de 600 obras de artistas afro-brasileiros
Jamile destacou que muitas dessas obras passaram décadas fora do circuito institucional formal, rotuladas como arte “naif” ou “primitiva”, e agora retornam ao país para integrar uma narrativa construída a partir de outras referências estéticas e históricas.
Para a diretora-geral do museu, Cíntia Maria, a incorporação do acervo tem dimensão histórica.
“Estamos falando do maior retorno de obras de arte feito ao Brasil. Esse acervo amplia de forma significativa o patrimônio público e fortalece a presença de artistas do Nordeste na narrativa nacional das artes visuais. Não estamos apenas trazendo obras de volta. Estamos reposicionando narrativas”, disse.
As obras chegaram a Salvador no dia 12 de janeiro, após processo logístico internacional, que envolveu embalagem especializada, adequação às normas de conservação museológica, trâmites alfandegários e transporte técnico especializado.
Núcleos e artistas
Dividida em três núcleos — “Restituir Sentidos”, “Escolas Invisíveis” e “Cotidianos” —, a mostra apresenta obras de artistas como Sol Bahia, José Adário, J. Cunha, Louco Filho e Babalu, entre outros.
As produções dialogam com territórios como o Pelourinho, no Centro Histórico de Salvador, e cidades do Recôncavo Baiano, evidenciando diferentes trajetórias e linguagens artísticas.
A expografia é assinada por Gisele de Paula, e a identidade visual foi desenvolvida por Ranulfo Magalhães e M. Dias Preto.
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Visitação
Após a abertura, a exposição poderá ser visitada de terça a domingo, das 10h às 17h, com último acesso às 16h30. A instituição recomenda que o público reserve pelo menos duas horas para percorrer as salas.
Os ingressos seguem valores institucionais, com entrada gratuita às quartas-feiras e aos domingos, como parte de uma política de democratização de acesso realizada em parceria com a Petrobras.
Segundo a assessoria do Museu, a exposição deve permanecer em cartaz até o início do segundo semestre e integra a programação educativa do museu, que inclui visitas guiadas e ações formativas para diferentes públicos.
O Muncab está localizado na Rua das Vassouras, nº 25, no Centro Histórico de Salvador, próximo ao Elevador Lacerda e ao Palacete Tira Chapéu.
Confira algumas das obras abaixo:
Obras Dia (à esquerda) e Noite (ao centro), da artista Babalu, e Igreja do Bonfim (à direita), do artista Raimundo Nonato
Daniel Cerqueira
Obra Revolta dos Malês, do artista Sol Bahia
Daniel Cerqueira
Obra Exu, do artista Jorge Santos
Daniel Cerqueira
Obra Exu, do artista José Adário
Daniel Cerqueira
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