A TV brasileira produziu muitos ícones durante os anos 80. A década foi marcada pela grande produção de dramaturgia, que ajudou a transformar o Brasil em referência no gênero.
Nas telenovelas, algumas musas conquistaram o imaginário popular, servindo de inspiração e até lançando moda com seus looks e estilos. Foi nesse cenário que as grandes protagonistas se tornaram as queridinhas do público e viraram verdadeiras manias nacionais.
Regina Duarte
De “Namoradinha do Brasil”, apelido que ganhou em 1971 após o enorme sucesso da novela Minha Doce Namorada, exibida pela TV Globo, Regina Duarte estourou a boca do balão ao viver a exuberante Viúva Porcina.
Em 1985, Regina, que sempre vinha de papéis delicados, substituiu Betty Faria como Porcina e se tornou um fenômeno nacional. Agora, operística e totalmente antagônica aos papéis doces que interpretava, a atriz conquistou o Brasil.
Bastante espalhafatosa, ficou conhecida pelo bordão “a viúva que foi sem nunca ter sido”. Porcina nunca foi casada com o “santo” de Roque Santeiro (José Wilker), mas inventou toda essa história para surfar na fama e no mito do santo da cidade fictícia de Asa Branca.
Regina emplacou outros papéis de sucesso, como Raquel, em Vale Tudo, em 1988, outro folhetim aclamado que lhe rendeu o título de maior atriz da década de 80.
Betty Faria
A atriz viveu um dos maiores momentos de sua carreira nos anos 1980. Com sucessos na conta, como a Lígia de Água Viva (1980), no final da década ela viveu o seu maior sucesso, a protagonista homônima de Tieta.
Zélia Gattai (1916-2008), esposa de Jorge Amado (1912-2001), afirmou que o escritor, em um jantar em Paris, na França, disse que estaria escrevendo uma obra que teria um papel para Betty na TV. Não deu outra: a atriz negociou com a TV Globo e viveu a eterna Tieta.
Na trama, depois de ser sofrida e expulsa da cidade pelo pai, Tieta retornou com tudo para Santana do Agreste, tornando-se aclamada pelo povo local. A eterna briga com sua irmã, Perpétua (Joana Fomm), rendeu diálogos espetaculares na obra.
Com o folhetim, Betty Faria virou sinônimo de sensualidade naquela década, lançando até uma marca de cosméticos com a poderosa Tieta. A novela rendeu à Globo uma média de 65,0 pontos no Ibope, a segunda maior audiência de todos os tempos, perdendo somente para Roque Santeiro, com 74,0.
Malu Mader
Ela virou musa ao protagonizar produções de enorme audiência nos anos 80. Papéis marcantes, como em Anos Dourados (1986), Ti-Ti-Ti (1985) e Fera Radical (1988), renderam à atriz sucesso e muita fama.
Mas foi em Top Model (1989) que Malu Mader virou mania nacional ao viver a destemida Duda, uma modelo em ascensão internacional que conquistou o Brasil. A jovem baiana foi descoberta pela confecção Covery, no Rio de Janeiro, pertencente aos irmãos Gaspar (Nuno Leal Maia) e Alex Kundera (Cecil Thiré), que viviam em constante disputa.
No folhetim, Duda se envolve com Lucas (Taumaturgo Ferreira), um grafiteiro fugitivo. E, claro, todo esse sucesso de Top Model rendeu uma média de 53,0 pontos, figurando entre as maiores audiências de todos os tempos e cravando Malu Mader como uma das queridinhas do país.
Vera Fischer
Ela, que venceu o concurso de Miss Brasil em 1969, estreou na tela da TV Globo em 1977, na novela Espelho Mágico. Mas sua aclamação na televisão veio em Mandala, em 1987, na trama de Dias Gomes.
No folhetim, Vera interpretou Jocasta, que engravidou jovem de Laio. Após uma profecia de que o filho mataria o pai e se envolveria com a mãe, o bebê é raptado e desaparece. Anos depois, sem saberem do parentesco, Jocasta e o filho Édipo (Felipe Camargo) se envolvem amorosamente.
Na ocasião, a censura tentou proibir uma cena de beijo entre eles, afirmando que seria muito agressiva para o público. Após negociar, a Globo colocou a sequência no ar sob o argumento de que eles não sabiam do parentesco.
Por fim, Jocasta termina ao lado do carismático Tony Carrado (Nuno Leal Maia). Com “O Amor e o Poder” na trilha sonora da novela, Vera Fischer ganhou a alcunha de “Deusa”. A imagem da atriz chegando de helicóptero para encontrar o amado Tony, ao som da música, ajudou a eternizar a personagem e a reforçar o status de musa.
Maitê Proença
Outro ícone dos anos 80, Maitê Proença iniciou sua carreira atuando em Dinheiro Vivo (1979), da TV Tupi. Ganhou fama ao interpretar a protagonista de Dona Beija (1986), na TV Manchete. A trama narra a história de Ana Jacinta, uma mulher corajosa que chocou a sociedade conservadora de Araxá, Minas Gerais, no século XIX.
De personalidade forte, a encantadora moça não se curvou às regras morais da época. Tal papel transformou Maitê em uma das mulheres mais sensuais e queridas daquele período.
Lídia Brondi
Foi uma das maiores atrizes do Brasil nos anos 1980. Começou a carreira na década de 1970 e estreou na TV Globo em 1975, na novela O Grito. Ganhou destaque ao participar de grandes sucessos da televisão.
Folhetins como “Dancin’ Days” (1978), “Roque Santeiro” (1985), “Vale Tudo” (1988) e “Tieta” (1989). No entanto, a musa dos anos 80 fez sua última participação em “Meu Bem, Meu Mal”, exibida entre 1990 e 1991.
Logo depois, afastou-se da TV no auge da carreira e deixou a atuação para enfrentar crises de síndrome do pânico e estresse.
Lucélia Santos
Foi uma das atrizes mais importantes dos anos 80, consolidando a carreira com grandes sucessos na televisão e no cinema. Conquistou aclamação internacional com a novela “Escrava Isaura” (1976), trama que foi vendida para diversos países.
No entanto, também brilhou em produções da Globo como “Água Viva” (1980), “Ciranda de Pedra” (1981), “Guerra dos Sexos” (1983), “Vereda Tropical” (1984) e fez muito sucesso com “Sinhá Moça” (1986). Migrou para a TV Manchete em 1987, vivendo a protagonista da trama em “Carmem” (1987).





