O anúncio de “Academia dos Nepo babies”, novo reality do Globoplay comandado por Ticiane Pinheiro, já nasceu sob um volume expressivo de críticas nas redes sociais.
A proposta de colocar filhos de famosos diante de tarefas do cotidiano, como lavar louça, parece partir de um diagnóstico equivocado sobre o que desperta interesse no público. Mais do que uma provocação, a premissa já cirou uma caricatura cafona de um velho Brasil que não vê mais identidade nisso.
O maior erro, porém, talvez seja com a própria Ticiane Pinheiro. Ao longo dos últimos anos, especialmente durante sua trajetória na Record, ela construiu uma imagem de comunicadora popular. A Globo, no entanto, volta a associá-la ao universo dos privilégios e reforça um estereótipo que ela parecia ter deixado para trás em frente as câmeras.
Há outro ponto importante. A geração que hoje consome streaming já não se reconhece nessa narrativa. Milhões de jovens estudam, trabalham, estagiam, empreendem e conquistam autonomia cada vez mais cedo. Transformar tarefas domésticas em espetáculo tende a gerar mais distanciamento do que identificação. Os próprios nepo babies de hoje estão integrados a uma vida inteligente e não boçal.
Se a percepção inicial das redes sociais se confirmar, a Globo pode ter criado um reality que expõe mais do que aproxima seus participantes. Em vez de humanizar os filhos de famosos, o formato corre o risco de ampliar críticas, incentivar cancelamentos e desgastar também a imagem de Ticiane Pinheiro, que pode ver sua estreia na emissora marcada por um projeto que, ao menos na largada, parece um tiro no pé.





