A Netflix registrou lucro líquido de US$ 3,66 bilhões (cerca de R$ 19,8 bilhões) no terceiro trimestre de 2026, alta de 43,9% em relação ao mesmo período do ano passado. A receita da plataforma de streaming também avançou, chegando a US$ 12,87 bilhões (cerca de R$ 69,5 bilhões), crescimento de 11,8% na comparação anual.
Apesar dos resultados positivos, a empresa enfrenta dificuldades para acelerar o crescimento da audiência, especialmente nos Estados Unidos e no Canadá. O reconhecimento do problema, somado à previsão mais fraca para o próximo trimestre e à redução da expectativa de receita com publicidade, pressionou as ações da companhia, que caíram mais de 5% nas negociações após o fechamento do mercado na terça-feira (20).
O crescimento da receita no terceiro trimestre foi o menor em quase três anos. Em carta aos investidores, a Netflix reconheceu a preocupação do mercado com a evolução do tempo de visualização na plataforma, particularmente na América do Norte. “Sabemos que há alguma preocupação dos investidores com o crescimento das nossas horas de visualização”, afirmou a companhia no documento.
Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, reconheceu que a empresa precisa melhorar sua execução no mercado estadunidense, embora tenha descartado a necessidade de mudança fundamental na estratégia. “Não há necessidade de uma mudança fundamental na estratégia. Precisamos de uma execução melhor nos Estados Unidos”, declarou durante a teleconferência sobre os resultados.
Lucro operacional cresce 37%
- Além do avanço do lucro líquido, a Netflix registrou crescimento de 37,3% no lucro operacional, que chegou a US$ 4,46 bilhões (cerca de R$ 24,1 bilhões). A margem operacional subiu de 28,2% no terceiro trimestre de 2025 para 34,6% no mesmo período deste ano;
- Segundo a companhia, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento da receita com assinaturas, reajustes de preços e expansão da publicidade, além de efeitos cambiais favoráveis. A empresa também atribuiu parte da melhora na margem ao calendário de despesas, que ficou abaixo do previsto no período;
- O fluxo de caixa livre alcançou US$ 2,88 bilhões (cerca de R$ 15,6 bilhões), ante US$ 2,66 bilhões (cerca de R$ 14,4 bilhões) um ano antes;
- Para 2026, a Netflix manteve a expectativa de receita de US$ 51,1 bilhões (cerca de R$ 276 bilhões), equivalente a crescimento anual de 13%. A projeção de margem operacional para o ano é de 31,5%;
- A perspectiva para o quarto trimestre, entretanto, indica continuidade da desaceleração. A empresa espera receita de US$ 13,44 bilhões (cerca de R$ 72,6 bilhões), com crescimento anual de aproximadamente 11,5%.
Publicidade fica abaixo das expectativas
A Netflix também reduziu sua previsão de receita publicitária para 2026. A empresa agora espera arrecadar aproximadamente US$ 2,7 bilhões (cerca de R$ 14,6 bilhões) com anúncios, ante a estimativa anterior de US$ 3 bilhões (cerca de R$ 16,2 bilhões).
De acordo com a companhia, o ajuste reflete atrasos um pouco maiores que o esperado na implementação de determinados recursos e produtos publicitários.
A revisão representa desafio para uma das frentes de expansão do negócio. A Netflix busca aumentar a monetização de seu plano com anúncios por meio de novas ferramentas, ampliação da demanda de anunciantes e melhorias na tecnologia publicitária.
Mesmo com o corte na previsão, a empresa afirmou que espera continuar ampliando a receita com publicidade nos próximos anos. A estratégia envolve aumentar tanto o número de assinantes do plano com anúncios quanto a capacidade de gerar receita com cada usuário.
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Netflix admite que precisa de novos sucessos
A preocupação com o crescimento da audiência também está relacionada à dificuldade de manter uma sequência de grandes sucessos. A plataforma ainda conta com produções de alcance global, mas enfrenta o desafio de substituir títulos, como Stranger Things e Round 6, por novos fenômenos capazes de mobilizar o público.
Segundo as métricas divulgadas pela própria Netflix, temporadas recentes de produções, como Treta, O Agente Noturno e Avatar: O Último Mestre do Ar, registraram quedas significativas de audiência em relação às temporadas anteriores.
No cinema, nenhum lançamento do verão estadunidense se destacou como grande fenômeno comparável aos sucessos do ano passado, como Guerreiras do K-pop e Um Maluco no Golfe 2. O principal filme da empresa no trimestre, The Last House, acumulou 91 milhões de visualizações, mas teve avaliações ruins tanto da crítica quanto do público.
A concorrência também pressiona o tempo que os usuários dedicam à plataforma. Serviços gratuitos e redes sociais, como YouTube e TikTok, disputam a atenção dos espectadores, enquanto a Netflix busca manter seus conteúdos entre as principais opções de entretenimento.
Jesse Cohen, analista sênior do Investing.com, avaliou ao The New York Times que a empresa enfrenta problema de engajamento e precisa de novos sucessos para recuperar o ritmo de crescimento.
Executivos defendem estratégia atual
Apesar das dificuldades, os dirigentes da Netflix afirmaram que a estratégia central da empresa permanece inalterada. O co-CEO Greg Peters disse que a retenção de assinantes continua saudável em todas as regiões e que a taxa de cancelamentos melhorou na comparação anual, tanto globalmente quanto nos Estados Unidos.
Peters também destacou resultados positivos em mercados internacionais, incluindo Índia, Coreia do Sul e Japão. Segundo ele, produções desses países continuam contribuindo para o engajamento, o crescimento de assinantes e a receita da companhia.
A empresa pretende manter o foco em séries, filmes e eventos ao vivo, ao mesmo tempo em que amplia a oferta de conteúdos licenciados de terceiros. Entre as iniciativas previstas estão novas temporadas de produções conhecidas, lançamentos cinematográficos e transmissões esportivas.
O desempenho do mercado estadunidense, contudo, continuará no centro das atenções. A Netflix considera que a região tem potencial para crescer mais rapidamente e espera melhorar a capacidade de produzir conteúdos capazes de conquistar grandes audiências e repercutir internacionalmente.
A pressão sobre os resultados ocorre em meio à reorganização interna. Na semana passada, a empresa anunciou o corte de aproximadamente mil postos de trabalho, cerca de 6% de sua força de trabalho, e substituiu Bela Bajaria no comando de conteúdo por Peter Rice, ex-executivo de Disney e Fox. O chefe da divisão cinematográfica, Dan Lin, também deixou a companhia.
As mudanças refletem a tentativa de melhorar a execução e aumentar a eficiência dos investimentos em conteúdo. Para os investidores, porém, o desafio vai além de controlar custos: a Netflix precisa transformar seus gastos com produções em mais audiência, retenção e crescimento sustentável da receita.
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