Nos bastidores de Hollywood com ‘Pânico 7’

Pânico 7Paramount Pictures

Como já é de costume com a franquia Pânico, podemos afirmar que há duas maneiras claras de como assistir a qualquer um dos filmes da renomada marca do terror contemporâneo: a primeira, e certamente, mais popular, é assistir aos longas-metragens Pânico, estritamente como obras de terror slasher com muita violência e sangue, enquanto tenta solucionar o mistério do tipo ‘whodunnit’ sobre quem é que está por de baixo da máscara do serial killer Ghostface; agora, pela segunda forma de assistir, teremos (muito) provavelmente, uma análise ou meditação complexa sobre os tempos que vivemos e, principalmente, o impacto comportamental daquele tempo nas pessoas daquela geração retratada nas narrativas.

Deste modo, já é possível elaborar uma das conclusões, tendo em vista que existem duas formas de aproveitar o mais recente capítulo Pânico 7 (2026), já disponível nas salas de cinema brasileiras.

Se assistirem pela maneira mais popular, ou seja, um típico longa de terror e mistério (com algumas boas risadas), então, certamente, irão aproveitar muito esta nova versão da marca, que estabeleceu o retorno da protagonista original do original, de 1996. Estamos falando da ‘scream queen’ e ‘final girl’ Sidney Prescott – interpretada pela sempre carismática Neve Campbell.

Agora, caso forem assistir ao novo Pânico 7, esperando um algo a mais e certa profundidade de ideia, até poderão ter algo do tipo, em uma narrativa que exprime o retrato dos tempos que vivemos, sendo “abençoados”, mas também muito assombrados por um monstro que pode figurar como algo muito pior que o aterrorizante Ghostface.

Em Pânico 7, de Kevin Williamson, temos um novo assassino Ghostface, que surge na tranquila cidade onde Sidney Prescott construiu uma nova vida. Seus medos mais sombrios se concretizam quando sua filha se torna o próximo alvo do serial killer, de Woodsboro, California.

Pânico 7Paramount Pictures

Para começar a desenvolver qualquer ideia a respeito da proposta vista em Pânico 7, é necessário que retornemos ao berço, o original e revolucionário Pânico (1996), realizado pelo renomado cineasta do terror Wes Craven (1939 – 2015).

Mercadologicamente, nos anos que se seguiram ao seu lançamento, a recepção do original Pânico continuou positiva. O filme de Craven é creditado por reacender o interesse pelo gênero de terror, durante a década de 1990, após um declínio em sua popularidade, e por direcionar o gênero para um público mais jovem, também. A sequência de abertura da fita, na qual a personagem de Drew Barrymore é morta por Ghostface, é considerada uma das mais chocantes e subversivas da história do cinema.

Enquanto, pelas variadas análises temáticas que surgiram desde o lançamento do primeiro capítulo da franquia Pânico, uma de maior destaque vai para o retrato geral do sentimento dos chamados ‘millennials’, ou Geração Y – nascidos entre aproximadamente 1981 e 1996, sendo a primeira geração de nativos digitais, marcados por crescerem com a revolução digital, a chegada da internet e os avanços tecnológicos.

A virada do século trouxe o massacre na escola de Columbine, a farsa do ‘bug do milênio’ e o 11 de setembro. E, todos se desenrolaram em um intervalo de apenas dois anos. Uma geração que, hoje, fala sobre ansiedade coletiva, depressão e trauma, lembrando de um período muito específico da nossa cultura, quando parecia que tudo iria desmoronar, enquanto tentávamos descobrir quem éramos e o que isso significava em uma época sentida como algo apocalíptico.

O meta-slasher de Wes Craven foi muito mais do que uma reinvenção do terror. Seus temas de feminilidade, trauma, recuperação e amadurecimento se entrelaçaram com a mistura de terror e comédia com uma precisão cirúrgica. Um emblema de esperança e engenhosidade, Sidney Prescott não tolerava tolices, seja lidando com seu namorado Billy Loomis, ou com o perseguidor mascarado. Ela nunca recuou e, mais de uma vez, demonstrou uma força inabalável para sobreviver a qualquer custo. Mesmo sofrendo com a morte da mãe, Sidney não deixou que isso a consumisse. Em vez disso, canalizou esse sofrimento em uma determinação férrea para viver — e não apenas viver, mas prosperar. Ao longo do filme original e da sequência, de 1997, ela era uma jovem tentando entender sua sexualidade enquanto combatia a violência cultural. Ao se deparar com a tragédia, ela emergiu como a heroína de sua própria história, incutindo um senso de valor e espírito de coragem.

Pânico 7Paramount Pictures

Também vale pontuar o acerto de Craven quando o mesmo retratou outra geração no subestimado Pânico 4 (2011) – seu projeto final para os cinemas. No quarto capítulo, ele usou das lentes da câmera para conversar diretamente com a Geração Z, nascidos entre 1997 e 2010, a primeira geração de nativos digitais que cresceu imersa na internet e marcados pela hiperconectividade, com redes sociais e smartphones. Pânico 4 também oferece comentários sobre o uso extensivo destas mesmas redes sociais e a obsessão pela fama na internet.

Como puderam perceber, Pânico representa muito mais do que uma mera fantasia para o Dia das Bruxas (Halloween), dado que reflete como um espelho, algumas de nossas angústias e problemas sociais, do tempo presente.

Entra em campo Pânico 7, que chega com uma proposta debilitada para criticar o também uso extensivo das IAs (Inteligência Artificial), não apenas pela geração atual, mas de modo generalizado.

Pânico 7Paramount Pictures

A narrativa composta por Kevin Williamson – criador da série de filmes Pânico – para o sétimo longa-metragem, busca explorar um dos grandes terrores da Hollywood atual, que tomou conta dos bastidores do cinema, em 2023, com a greve dos roteiristas que paralisou toda a indústria, entre 2 de maio a 27 de setembro, daquele ano.

Sendo uma das preocupações do Sindicato dos Roteiristas, assim como de outros sindicatos da indústria cinematográfica, o uso da Inteligência Artificial (IA) que poderia resultar na perda de empregos para os próprios, que seriam substituídos por uma inteligência artificial generativa, como o ChatGPT, por exemplo.

É possível sentir em Pânico 7, tal mistério e terror tomando conta das personagens, em especial, a protagonista Sidney Prescott, que assiste pela tela de seu celular, o retorno de Stu Macher – papel de Matthew Lillard –, personagem supostamente morto, em Pânico (1996).

Pânico 7Paramount Pictures

A pergunta que fica: será que é real ou ‘fake’? Será que o primeiro Ghostface (ao lado de Billy Loomis) está vivo?

Da mesma maneira como acontece no gênero da ficção científica, são as perguntas que movem a história adiante e, também, são a causa das aflições das personagens, assim como nós, público, assistindo o desenrolar da história.

O terror de Sidney não se resume singularmente com a aparição de um novo psicopata mascarado como Ghostface, algo que ela já está mais que acostumada e bem preparada para enfrentar, mas com um suposto passado que acreditava não existia mais, novamente como parte de sua realidade, e agora, indo atrás daquilo que ela mais preza na vida: sua família – aqui, representada por sua filha Tatum, papel de Isabel May.

Pânico 7Paramount Pictures

Sabemos que nos bastidores da atual Hollywood, o monstro do momento possui cabeça de cor alaranjada e usa muito o X (antigo Twitter). Olha a tecnologia sendo usada como ferramenta de terror, aí!

Contudo, para Kevin Williamson, mais valeu fazer uma crítica, mesmo que suavizada, à nossa adicção com as Inteligências Artificiais. Lembrando que, assim como nos filmes da franquia Pânico, sempre tem mais de um (1) assassino monstruoso, mascarado como Ghostface.

Mais uma vez, arte espelhando a nossa realidade.

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