Muito além de bolsas, relógios e carros de luxo, o consumo de alta renda está mudando de direção. Para a pesquisadora de tendências Leka Tavares, o novo status está naquilo que não precisa ser exibido.
Durante muito tempo, bastava olhar para o relógio no pulso, o carro na garagem ou a bolsa carregada por alguém para identificar símbolos de riqueza. Hoje, essa leitura já não é tão simples.
Nos principais centros internacionais do luxo, como Paris, Miami, Milão e Nova York, um movimento discreto vem redesenhando o comportamento dos consumidores de alta renda. Eles continuam comprando produtos sofisticados, mas o foco mudou. Em muitos casos, o que tem mais valor é justamente aquilo que passa despercebido.
É essa transformação que a consultora de moda e pesquisadora de tendências Leka Tavares acompanha de perto durante suas viagens internacionais.
“Existe uma ideia equivocada de que quem tem muito dinheiro quer chamar atenção. O que observo é exatamente o contrário. O consumidor de alto padrão está cada vez menos preocupado em impressionar os outros e mais interessado em investir naquilo que melhora sua qualidade de vida”, afirma.
O luxo deixou de ser barulhento. Segundo Leka, o perfil do consumidor mudou de forma significativa nos últimos anos.
Peças carregadas de logotipos perderam espaço para roupas confeccionadas com tecidos nobres, cortes impecáveis e acabamento artesanal. O mesmo acontece com acessórios, móveis, hotéis e até serviços.
“Hoje, o verdadeiro luxo não precisa ser reconhecido à distância. Muitas das peças mais valiosas que encontro em boutiques internacionais são discretas. Apenas quem conhece moda consegue identificar o valor daquele produto.”
Marcas tradicionais continuam ocupando espaço nesse mercado, mas a forma como se relacionam com seus clientes mudou. Em vez de estimular a ostentação, passaram a valorizar a exclusividade, a tradição e a excelência.








