Benedito Ruy Barbosa, que morreu na última terça-feira (07), deixou um legado na dramaturgia brasileira. Conhecido por seu olhar atento às raízes do Brasil e pelo sucesso de suas tramas rurais, o autor foi o pilar de diversos clássicos da Televisão.
Apesar de colecionar recordes de audiência, nem toda a criatividade do autor encontrou espaço na grade de programação da TV Globo. Ao longo das décadas, alguns projetos ambiciosos foram apresentados pelo novelista, mas acabaram descartados e arquivados pela emissora.
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Na década de 1970, durante uma viagem pelo interior da Bahia, Benedito encontrou a inspiração para desenvolver o proeto de O Cerco. Inicialmente idealizada como uma produção cinematográfica, a obra acabou sendo desenhada como minissérie. Logo depois, em meados de março de 1993, enquanto colhia os frutos do fenômeno Renascer, o autor chegou a comentar sobre a produção.
“Minha intenção era transformá-la em filme. Não deu. Vai virar minissérie”, contou ele na época. O Cerco chegou a ter nomes de peso cotados para o elenco, como Fernanda Montenegro, José Wilker, Leonardo Vieira, Patrícia França e Cacá Carvalho. Apesar do entusiasmo do autor e do prestígio que ele desfrutava na época, após o sucesso de Renascer, O Cerco foi engavetada sem explicações, enquanto Benedito seguia focando em seus sucessos no horário nobre.
Projeto cancelado
Em 2015, o cenário era bastante diferente do anterior. Com a Record nadando de braçadas no horário nobre devido o sucesso de Os Dez Mandamentos, Benedito Ruy Barbosa apresentou à Globo uma ideia muito ousada. Intitulada “E Se Ele Voltar?”, a novela abordaria o retorno de Jesus Cristo à Terra sob a perspectiva de um homem comum.
Como o mercado já imaginava, o projeto foi declinado pela direção de dramaturgia. A recusa do projeto pela alta cúpula da emissora não foi bem recebida pelo autor. O episódio foi o estompim para um atrito direto com Silvio de Abreu, então diretor de dramaturgia da casa.
Diante do impasse, Benedito se afastou da criação solo e passou a atuar como supervisor em Velho Chico (2016), obra assinada por sua filha, Edmara Barbosa, e seu neto, Bruno Luperi, que foi bastante criticada na época, e ficou marcada pela morte de Domingos Montagner, nas últimas semanas da história.
A Última tentativa
Mesmo após diversos conflitos criativos com a casa e com Silvio de Abreu, Benedito Ruy Barbosa ainda tentou emplacar um novo projeto na Globo. O Último Beijo surgiu como uma tentativa de conquistar a faixa das sete, o único horário da grade no qual Benedito Ruy Barbosa ainda não havia assinado uma novela.
Diferente da maioria dos seus trabalhos, que sempre estavam focados em histórias no campo, a novela seria uma trama romântica e urbana. Apesar da tentativa de mudar sua linha de trabalho, a sinopse também não recebeu sinal verde para produção e foi engavetada pelo canal.
Mesmo estes projetos tenham ficado pelo caminho, as obras que chegaram às telas, como Pantanal, O Rei do Gado, Terra Nostra e Renascer, garantiram a Benedito Ruy Barbosa um lugar eterno na história da Teledramaturgia Brasileira.











