Pequenos negócios batem recorde no Brasil

O MEI (sigla para Microempreendedor Individual) é a pessoa que trabalha por conta própria e que legaliza o seu negócio, tornando-se um pequeno empresário iStock

O Brasil alcançou um novo recorde no número de pequenos negócios ativos, mas o avanço do empreendedorismo vem acompanhado de um aumento significativo na inadimplência, acendendo um sinal de alerta no setor.

Ao fim de 2025, o país somava cerca de 23,9 milhões de empresas ativas, maior patamar da série histórica. O crescimento foi de 9,7% em relação a 2024, impulsionado principalmente pela abertura de novos negócios.

Apesar do desempenho positivo, o número de empresas inadimplentes também bateu recorde, chegando a 7,7 milhões, alta expressiva nos últimos anos.

Crescimento não garante sobrevivência

Somente em 2025, foram abertas cerca de 4,9 milhões de empresas, enquanto 2,8 milhões encerraram suas atividades. O movimento revela um ambiente dinâmico, mas também marcado por forte rotatividade e dificuldades na manutenção dos negócios.

Na prática, muitos empreendedores enfrentam desafios como aumento dos custos operacionais, queda no consumo e dificuldade de acesso ao crédito, o que compromete o fluxo de caixa e a capacidade de honrar compromissos financeiros.

Endividamento em alta preocupa

O avanço da inadimplência está diretamente ligado ao cenário macroeconômico. A manutenção de juros elevados, aliada a uma atividade econômica mais moderada, encarece o crédito e reduz a margem de manobra das empresas.

Além disso, efeitos ainda persistentes do período pós-pandemia continuam impactando pequenos negócios, especialmente aqueles com menor capital de giro e maior dependência do consumo imediato.

Mudança no perfil dos negócios

Os dados também mostram uma transformação na composição das empresas. A participação das micro e pequenas empresas (MPEs) aumentou nos últimos anos, enquanto os microempreendedores individuais (MEIs) perderam espaço proporcional no total.

O setor de serviços segue predominante, concentrando mais da metade dos negócios, seguido pelo comércio.

Crédito cresce, mas custo pesa

Mesmo com condições financeiras mais restritivas, o crédito para pequenos negócios continua em expansão. Em alguns segmentos, como o de microempreendedores individuais, houve forte crescimento na concessão nos últimos anos.

Por outro lado, o aumento dos juros e dos custos financeiros tem dificultado o pagamento das dívidas, contribuindo diretamente para o avanço da inadimplência.

São Paulo lidera concentração

O estado de São Paulo concentra a maior quantidade de pequenos negócios do país, reunindo quase um terço do total nacional.

Desafio para 2026

O cenário reforça o desafio de transformar o crescimento no número de empresas em sustentabilidade no longo prazo. Sem melhora nas condições de crédito e no ambiente econômico, especialistas avaliam que a inadimplência pode continuar avançando ao longo de 2026, pressionando principalmente os pequenos empreendedores e elevando o risco de fechamento de empresas.

*Estagiária sob supervisão

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