Petrobras retoma presença na África com novo ativo em alto-mar

Petrobras confirma vazamento de fluido na Foz do Amazonas.Reprodução/Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras voltou a marcar presença no setor de petróleo e gás da África ao assegurar participação em um ativo offshore, movimento que integra uma estratégia mais ampla de internacionalização e ampliação de seu portfólio de exploração e produção, com foco em áreas de águas profundas de elevado potencial.

O projeto será desenvolvido em parceria com a TotalEnergies, que ficará com 42,5% de participação e assumirá a operação do ativo. As empresas locais Eight e Namcor Exploration and Production deterão, respectivamente, 5% e 10%, enquanto a Maravilla Oil & Gas se desfaz de sua fatia no empreendimento.

A transação está alinhada ao plano estratégico da Petrobras para o ciclo de 2026 a 2030 e indica uma reorientação relevante da companhia em direção aos mercados africanos.

Anos de foco doméstico e retração no continente

Ao longo da maior parte da década de 2010, a estatal brasileira concentrou seus esforços quase exclusivamente nas bacias do pré-sal em águas profundas no Brasil, com operações centralizadas no Rio de Janeiro. Nesse período, houve uma redução significativa da atuação africana, especialmente em países como Angola, Nigéria e Gana.

Questões regulatórias, custos elevados de exploração e expectativas de retorno mais limitadas contribuíram para que a África perdesse espaço na estratégia da companhia, que priorizou projetos domésticos considerados mais competitivos.

Namíbia ganha destaque na nova estratégia internacional

O acordo reforça o reposicionamento da Petrobras no continente africano e fortalece o papel da Namíbia como um emergente centro energético regional.

Segundo a CEO Magda Chambriard, em declaração à Reuters, a empresa pretende transformar a África em seu principal eixo de crescimento fora do Brasil, com atenção especial à Namíbia, Angola e Nigéria.

Especialistas do setor veem a aquisição como parte de um movimento global mais amplo, no qual grandes companhias de energia — como TotalEnergies e Chevron — ampliam investimentos na África Ocidental e Austral para atender à expansão da demanda mundial por energia.

Parcerias estratégicas e aposta em águas profundas

A entrada no projeto namibiano também sinaliza a disposição da Petrobras em fortalecer alianças com operadoras locais e players internacionais, estratégia que contribui para a diversificação de reservas e a redução de riscos operacionais.

Analistas destacam que essa abordagem permite à companhia explorar sua reconhecida expertise técnica em projetos de águas profundas, ao mesmo tempo em que garante acesso antecipado a novas fronteiras exploratórias de hidrocarbonetos.

Com o retorno ao continente, a Petrobras reafirma sua visão de longo prazo para a África e contribui para consolidar a Namíbia como um polo energético em ascensão. A conclusão do negócio ainda depende de aprovações regulatórias e do cumprimento de condições usuais, mas o acordo já é interpretado como um sinal claro do renovado compromisso da empresa com o potencial africano.

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