A Polícia Civil de São Paulo prendeu neste sábado (24) um homem suspeito de participar do assalto à jornalista Maria Prata, ocorrido na quinta-feira (22), no bairro da Lapa, na zona oeste da capital.
Ao iG Gente, a Secretaria da Segurança Pública informou que a prisão foi realizada por equipes da 3ª Delegacia Seccional em conjunto com a 3ª Central Especializada de Repressão a Crimes e Ocorrências Diversas (Cerco).
Segundo a SSP, após a análise de imagens de câmeras de segurança, os investigadores identificaram a motocicleta usada no crime e chegaram ao suspeito, que teria atuado como olheiro, auxiliando o outro criminoso na ação.
O homem foi localizado na região do Campo Limpo. Durante a abordagem, a polícia apreendeu roupas, um capacete e outros objetos de interesse da investigação. As diligências continuam para identificar e prender o segundo envolvido.
Relembre o caso
A jornalista Maria Prata, esposa do apresentador Pedro Bial, divulgou nas redes sociais um vídeo que mostra o momento em que foi assaltada ao lado da filha Dora, de 6 anos. O crime ocorreu na quinta-feira (22) e foi registrado por câmeras de segurança da região.
As imagens mostram as duas caminhando pela calçada quando um motociclista se aproxima, aponta uma arma e exige que a jornalista entregue seus pertences.
Ao relatar o episódio, Maria descreveu o impacto da situação. “Hoje foi comigo. Essa imagem sem som que vemos repetidamente no feed: uma câmera de segurança, um motoqueiro de capacete e mochila de entregas, uma arma, alguém sendo assaltado na rua. Agora esse alguém era eu. Com minha caçula colada em mim. E com som, que não sai da minha cabeça”, escreveu.
Ela também afirmou que não houve imprudência. “Não estava com celular na mão. Não estava ‘dando bobeira’ num ‘lugar perigoso’. Estacionei o carro em uma rua residencial (fofa, de casinhas geminadas, na Lapa) e estava andando 20m até a casa para onde íamos”, completou.
No post, a jornalista relembrou o diálogo entre ela e o criminoso, assim como os questionamentos de sua filha caçula no momento do incidente.
“‘Não se mexe, entrega tudo, cadê o iPhone?’. ‘Tá na bolsa. Eu estou com uma criança, fica calmo, pode levar tudo’. ‘Mamãe, por que você tá tirando sua aliança?’. ‘Qual a senha do iPhone? A senha do iPhone!’. Eu dizia a senha, mas, nervoso, ele errava as teclas. ‘Repete! A senha!!’. ‘Eu abro o celular pra você!’. ‘A senha!! Você é polícia?!’. Ele passou a mão na minha cintura pra ver se eu estava armada. Repeti a senha. Finalmente abriu. Ele revirou a bolsa, pegou meus cartões e saiu'”.
Segundo Maria, a filha não conseguiu entender o que havia acontecido. “Dora não viu a arma, não entendeu o que estava acontecendo por um motivo óbvio: ela sequer sabe que isso acontece”, explicou.
“Entramos na casa, fomos acolhidas por muitos amigos. Entreguei Dora pro Pedro, que estava lá, e desabei longe dela. Só ali, pelas conversas, caras e perguntas, ela sentiu o baque. Chorou, ficou com medo, ‘quero ir pra casa, mamãe’. Chegou polícia, depoimento. Horas de telefonemas cancelando tudo”, relatou Maria.
Segundo a jornalista, após choque, o incidente mexeu com a pequena Dora e com ela mesma.
“Dora passou o dia falando sobre isso, processando, perguntando, querendo entender o que foi aquilo, quem era aquele cara, por que ele queria o telefone, a senha, a aliança, por que isso acontece. São 4h da manhã, não consigo dormir. Minha cabeça é um replay sem fim de áudios e imagens de uma situação que ninguém deveria passar na vida. Nem eu, nem a Dora, nem aquele cara”, enfatizou Maria.
A jornalista ainda tranquilizou os amigos e seguidores. Além disso, ela refletiu sobre a brevidade da vida e como situações como esta podem ser perigosas. “Estamos bem, têm coisas muito piores, o pesadelo poderia ser outro. Mas a vida é mesmo um sopro. Um movimento errado e o desfecho poderia ser outro, como já foi com tanta gente”, escreveu.
“Passamos as férias dedicados a mostrar para nossas filhas o Brasil mais sensacional que há. Hoje, o pior do Brasil nos atropelou”, finalizou a jornalista.














