A pressão exercida sobre o Federal Reserve (FED) tem seguido uma constante desde o primeiro mandato de Donald Trump, quando Jerome Powell foi nomeado presidente da instituição. O FED é o Banco Central dos EUA, responsável por definir a taxa básica de juros do país.
Em declarações públicas, o presidente dos Estados Unidos já afirmou compreender melhor a política monetária do que o corpo técnico do FED, embora especialistas ressaltem que a independência do órgão é uma cláusula protegida por lei.
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Trump considera o atual nível de juros um entrave para a competitividade americana e que seguirá cobrando cortes.
Em resposta, a diretoria do Federal Reserve tem reforçado que as decisões sobre os juros serão sempre baseadas em dados econômicos e projeções técnicas.
A nova ofensiva de Trump intensifica as pressões sobre o FED, com a disputa centrada na política de juros. Enquanto Trump exige cortes rápidos e significativos para impulsionar a economia, o Banco Central adota uma abordagem mais cautelosa, focando no controle da inflação e na manutenção da estabilidade econômica.
Ameaças e pressão contínua

Neste domingo (11), Powell emitiu um comunicado no qual acusou o presidente norte americano de usar uma acusação criminal como forma de chantagem para forçar a redução de juros no país.
Powell declarou ter sido notificado pelo Departamento de Justiça com uma ameaça de denúncia criminal envolvendo um projeto para reforma nos prédios do FED.
De acordo com a Reuters, a ameaça de acusação está relacionada a declarações feitas por ele ao Congresso no ano passado, durante o verão, sobre os custos extras de um projeto de renovação de um prédio de US$ 2,5 bilhões (cerca de R$ 13 bilhões na cotação atual) no complexo da sede do FED em Washington.
“Na sexta-feira (9), o Departamento de Justiça entregou ao Federal Reserve intimações do grande júri, ameaçando uma acusação criminal”, disse Powell.
“Tenho profundo respeito pelo Estado de Direito e pela responsabilidade em nossa democracia. Ninguém, certamente não o presidente do Federal Reserve, está acima da lei. Mas essa ação sem precedentes deve ser vista no contexto mais amplo das ameaças e da pressão contínua do governo”.
O presidente do FED afirma que a ameaça não está relacionada à reforma dos edifícios da instituição, sendo apenas um pretexto.
“Essa nova ameaça não tem a ver com meu depoimento em junho passado, nem com a reforma dos prédios do Federal Reserve. Não tem a ver com o papel de supervisão do Congresso. Esses são pretextos. A ameaça de acusações criminais é uma consequência do Federal Reserve definir as taxas de juros com base em nossa melhor avaliação do que será melhor para o público, em vez de seguir as preferências do Presidente”.
No final do comunicado, Powell reforça que continuará a cumprir sua função com integridade. “O serviço público às vezes exige firmeza diante de ameaças. Continuarei a fazer o trabalho para o qual o Senado me confirmou com integridade e compromisso de servir ao povo americano”.
Reações
Ainda segundo a Reuters, a ameaça de indiciamento por parte do Departamento de Justiça provocou um aumento nas taxas dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos de longo prazo, à medida que os investidores analisavam que um FED menos independente poderia significar para a inflação e a política monetária.
Nesta segunda-feira (12), ex-presidentes do FED, como Janet Yellen, Ben Bernanke e Alan Greenspan, se uniram a ex-líderes de política econômica de governos de diferentes partidos para alertar sobre a situação.
“É assim que a política monetária é feita em mercados emergentes com instituições frágeis, com consequências altamente negativas para a inflação e para o funcionamento de suas economias de forma mais ampla”, escreveram eles.
Banqueiros centrais globais, incluindo os presidentes dos bancos centrais francês e canadense, também manifestaram publicamente sua solidariedade.














